O roubo de cargas já causou prejuízo de mais de R$ 250 milhões nos últimos seis anos em Minas Gerais, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). A mesma pesquisa aponta que o Estado é o terceiro do país em número de ocorrências, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. O problema se tornou tão grave que, em uma lista de 57 países, o Brasil é apontado como o oitavo com maior risco para o roubo de carga, à frente países em guerra e conflitos civis, como Paquistão, Eritreia e Sudão do Sul. Cigarros, eletrônicos e medicamentos estão entre os itens prediletos dos bandidos que atuam nas rodovias mineiras.

O assessor de segurança da Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Ivanildo Santos, explica que há casos em que o roubo acontece em Minas, mas é registrado em São Paulo ou na Bahia, onde o motorista é abandonado, dificultando a obtenção de números mais precisos.

A Fetcemg ainda não compilou as estatísticas deste ano, mas a estimativa do especialista é que, até agosto, mais de R$ 110 milhões em cargas transportadas foram perdidos para o crime.
 
MAIS CARO
O alto número de ocorrências de roubos e furtos de cargas reflete no encarecimento do frete, chegando a impactar no bolso do consumidor. Hoje, o gerenciamento de risco já representa 25% da despesa do frete, e já está, junto com pneu e combustível, entre os três itens que mais pesam para o transportador.

“Está sendo necessário fazer um investimento em rastreadores, centrais de monitoramento e, em alguns casos, até em escolta armada. Uma transportadora que tenha tido dois ou três roubos em um ano já encontra dificuldade para renovar a apólice de seguro”, diz o assessor de segurança da Fetcemg.

Cigarros, medicamentos, combustíveis, autopeças e alimentos são as mercadorias mais visadas. Equipamentos eletrônicos também estão na mira, porém, como o próprio Ivanildo explica, por terem maior valor agregado, recebem um melhor tratamento de segurança por parte das empresas de carga.

“Eletrônicos, medicamento e cigarros são mais fáceis de serem vendidos depois de serem roubados, por isso exigem um cuidado maior”, explica Rodrigo Mourad, sócio da Cobli, startup especializada na gestão de frotas.