Distante 147 quilômetros de Montes Claros, Grão Mogol, no Norte de Minas, comemora hoje, 13 de junho, o dia do padroeiro, Santo Antônio, que dá nome à construção mais imponente da cidade, a Igreja Matriz que começou a ser construída com rochas da região depois de 1840, quando o arraial virou vila.

Na obra, trabalharam os escravos cedidos pelo barão de Grão Mogol, Gualtér Martins Pereira. O templo católico segue o traçado das igrejas barrocas, com dois altares laterais e uma capela mor ornada de um grande altar em madeira, dotado de pequenos oratórios para diversos santos.

Envolta em bandeirolas, a matriz foi palco, nos últimos dias, da realização da “trezena” de Santo Antônio, cerimônia dedicada ao padroeiro com cânticos, apresentação de artistas locais, fogos e barraquinhas com comidas típicas, festejos organizados com o apoio da população. Nas comunidades rurais e na cidade, os devotos começam a festejar o santo casamenteiro no primeiro dia do mês. 

Conhecida pela forte religiosidade e hospitalidade de sua gente, a pacata cidade de Grão Mogol possui ruas com casario histórico, recentemente tombados pelo Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e um presépio em tamanho natural, entre outros atrativos.

A cidade recebe turistas de todo o Brasil durante o ano inteiro, mas é no mês de junho que acolhe maior número de fiéis e visitantes.

A devoção a Santo Antônio é muito anterior à construção da matriz. Em fins do século 18, a região já era denominada Serra de Santo Antônio. Fé fortalecida ano após ano, pois Santo Antônio é invocado a auxiliar os fiéis solteiros que estão à procura de um pretendente para selar matrimônio.

A professora da UFMG Ivana Parrela, doutora em História, mora na cidade há seis anos. Antes, escreveu o livro “O Teatro das Desordens”, discutindo a ocupação da região, narrando histórias de garimpo, contrabando e da violência no sertão diamantino. Agora, faz pesquisa sobre o barão de Grão Mogol. 
 
RENOVAÇÃO
“Amo festas juninas. Elas são uma das representações mais significativas do rural no urbano”, conta a professora, que assume a devoção por Santo Antônio e que tem uma imagem do casamenteiro gigante em casa, pintado pelo artista montes-clarense Gu Ferreira.

“Santo Antônio é uma das devoções fortes no interior de Minas e uma lembrança de minhas raízes aqui”, diz a professora, que observa que, nos últimos anos, as festas têm ganhado força com a chegada de padres jovens e dinâmicos, sem contar que as quermesses congregam a população, fortalecendo a religiosidade dos moradores.

Arlinda Martins Assis, a dona Sinhá, é proprietária de loja de confecção e aluguel de roupas. Nos últimos seis anos tem dado ênfase às vestimentas juninas. 

Ela faz questão de dizer que é esposa de Gê Careca, ex-presidente da Associação dos Artesãos de Grão Mogol, com quem lembra ter adquirido o gosto pela arte, pelos adornos.

O estoque de roupas coloridas e ornamentadas para a festa de Santo Antônio estava recheado no início do mês. “Quando a devoção fala mais alto, a procura aumenta”, comemora. Segundo ela, nas festas juninas a família trabalha dobrado para dar conta das encomendas e que o movimento nessa época supera em muito outras datas importantes, como o Natal.