Saboroso, nutritivo e afrodisíaco. Assim é o fruto do baruzeiro, árvore típica do cerrado. Famosa, a castanha do baru se firmou como item obrigatório na alimentação de quem aprecia produtos que têm propriedades únicas e como ingrediente dos mais festejados na gastronomia brasileira. 

Hoje, o produto é a base de uma cadeia produtiva que é fonte de renda para 150 famílias dos municípios de Arinos, Riachinho, Bonfinópolis de Minas, Urucuia, Chapada Gaúcha, Uruana de Minas, Natalândia e Pintópolis, no Norte de Minas.

Em 2017, a extração rendeu 10 toneladas da castanha. Em 2015, foram seis toneladas, um crescimento que demonstra a força da cultura. 

A exploração do baru é um dos projetos da Agência de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Vale do Rio Urucuia, criada no ano 2000. A secretária executiva da instituição, Irene Gomes Guedes, explica que a proposta foi apresentada em 2005, como parte de um programa de diversificação da base produtiva da região, onde a atividade predominante é a pecuária leiteira. “No diagnóstico que fizemos, a castanha do baru foi o carro-chefe entre os produtos do cerrado”, afirmou.

Como a colheita da castanha acontece nos anos ímpares, existe a preocupação com a exploração sustentável do produto, com incentivo ao plantio de mais árvores da espécie. Em termos mercadológicos, a gestão do estoque é fundamental para manter o mercado nacional abastecido pela iguaria.

Paralelamente, a Agência tem participado do trabalho de divulgação do baru como ingrediente para várias receitas culinárias, para atrair visitantes e incrementar o turismo gastronômico na região. “O baru é bastante versátil e cabe em diversas receitas, como mostramos durante a 2ª Festa Nacional do Baru (Fenabaru), que aconteceu entre 17 e 19 de agosto, em Arinos”, disse.
 
PRODUÇÃO
A Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com Base na Economia Solidária (Copabase) compra, torra e comercializa a castanha. 

O extrativista vende por R$ 20 a R$ 23, e o preço final da cooperativa é R$ 50 o quilo na região. Segundo Irene Guedes, a iguaria chega a valer R$ 200 o quilo em Brasília.

Desafio para a cooperativa é agregar valor à castanha na região. Atualmente, a Copabase tem um torrador eletrônico que garante “o ponto ideal” do produto. Antes da aquisição do equipamento, o processo era feito na panela, de forma artesanal. A Cooperativa tem 120 cooperados ativos.

Extrativista comemora mudança de vida
Todo o processo de exploração do baru é manual. Para conseguir dois quilos da castanha, é preciso quebrar 50 quilos do fruto do baruzeiro, uma árvore que já ocupa 3 hectares da propriedade do extrativista Francisco Rodrigues dos Santos, 52 anos, na Fazenda Campo Verde, em Riachinho. “Hoje temos 200 árvores plantadas, mas queremos chegar a 12 hectares de castanheira”, projetou o Sr. Chiquinho, como é mais conhecido na região.

Ele trabalha com a atividade desde 2012. Antes, era agricultor familiar. A mudança garantiu a realização das cerimônias de casamento de todos os filhos, o pagamento da terra, reformas e melhorias na casa e a compra de dois carros. 

“Neste ano, a produção foi muito pequena, mas suficiente para dar uma demonstração do produto”, disse, com a calma de quem conhece o ciclo da natureza.

Além dele, a esposa e o filho também trabalham na atividade. Segundo Sr. Chiquinho, o baru melhorou a vida da família.