Os mais de cem dias sem chuva em boa parte dos municípios de Minas Gerais afetam negativamente a economia do Estado, complicando projeções de produtores, principalmente no setor da agricultura. No Norte de Minas, as produções de carne de boi e frutas está sendo muito afetada, assim como café, soja e milho em outras áreas do Estado, são as estão mais receosos em médio prazo.

No caso da produção de gado de corte, o setor tem acumulado perdas em mais de seis anos de seca na região Norte. No período, a redução da área de pastagem na região chega a cerca de 70% (mais de 500 mil hectares). Já o rebanho encolheu de 3,5 milhões de cabeças para 1,4 milhão, afirma Ricardo Alta, do Sindicato Rural de Montes Claros. “Havia dois grandes frigoríficos na cidade, cada um com cerca de mil abates por dia. Hoje resta um, com 300 a 400 abates”, diz.

Já em Jaíba, que possui o maior projeto de irrigação da América Latina, a baixa vazão do rio São Francisco fez com que a captação de água fosse suspensa das 7h das quartas-feiras às 7h de quinta, todas as semanas.

“O receio do produtor é que esse racionamento aumente. Hoje, já impacta culturas como cebola, abóbora, tomate e pimentão”, diz o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Jaíba, Dalton Lode.

Café
No cultivo de café, do qual Minas é responsável por cerca de 50% da produção nacional, a avaliação de especialistas é a de que a seca dos últimos anos pode derrubar em até 20% as projeções da próxima colheita – prevista em cerca de 25 milhões de sacas para o Estado. Mesmo que o volume de chuva se estabilize a partir de outubro, os danos da falta de umidade podem ser graves.

“Com menos chuva, o café desfolha e há maior proliferação de pragas e doenças. Tudo vai depender da retomada da chuva prevista para outubro, mas é pouco provável que ela seja capaz de recuperar todo o estrago que já foi feito”, aponta engenheiro agrônomo José Braz Matielo, da Fundação Procafé.

Soja e milho
Na cultura de grãos, muito forte nas regiões do Triângulo e Alto Paranaíba, os produtores têm adiado o plantio da soja para novembro devido à baixa umidade do solo. À mesma época do ano passado, quando a chuva havia sido mais generosa, o processo já havia se iniciado.

O adiamento traz con-sequências, já que pode afetar o plantio do milho no início do ano que vem. “A gente sempre espera que dê certo, mas o adiamento pode atrasar a segunda safra. Até 10 de março precisamos plantar o milho, mas é preciso que a soja cumpra o ciclo”, afirma o presidente da Comissão de Grãos da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Rodrigo Erval.

Plantio de grãos depende de 100 mm de chuva
O veredicto dos produtores e especialistas é o de que seja preciso cerca de 100 milímetros de chuva até novembro para assegurar a melhoria da situação em Minas.

Luís Ladeia, do Instituto Nacional de Meteorologia, lembra que o período que atravessamos é tradicionalmente de falta de chuvas, mas que este ano tem sido anômalo, já que mesmo nos meses de estiagem sempre houve pequenos índices de precipitação, o que não aconteceu em 2017. Ladeia é otimista e afirma que as projeções são de chuva dentro da média para o verão.

“Há mudanças na atmosfera e já temos previsão de chuvas no Triângulo, Sul de Minas e Belo Horizonte neste fim de semana”, afirma o meteorologista.

O economista da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio), Guilherme Almeida, descarta a possibilidade de um eventual prolongamento da seca afetar a inflação no início de 2018.

“Aumentos pontuais (de preços) podem ser sentidos devido às questões climáticas, mas nada que gere pressão inflacionária”.Guilherme Almeida, economista