A Polícia Civil prendeu, na manhã de ontem, o delegado de Rio Pardo de Minas, Luís Cláudio Freitas do Nascimento, por desvio de conduta. Segundo a corporação, há pelo menos oito meses o delegado cometia atos de improbidade administrativa. Ele era o responsável pelas investigações do desaparecimento e morte da menina Emilly Ketlen Ferrari.

No final do ano passado, o Ministério Público (MP) pediu o afastamento do delegado pelos atos de improbidade administrativa. De acordo com a promotoria, Luís Cláudio não comparecia ao expediente nem aos plantões regularmente.

Com a ausência dele, ainda de acordo com a Polícia Civil, houve casos de liberação de presos em flagrante, prisões ilegais, arquivamentos irregulares e extravio de inquéritos policiais, além de ausência de respostas a requisições da Promotoria de Justiça.

Na época, o MP pediu que, além do delegado, um investigador que acobertaria os atos dele deveria perder o cargo público, e uma indenização por dano moral teria que ser paga ao Estado. O delegado voltou a trabalhar este ano e estava de licença médica quando ocorreu a prisão.

Luís Cláudio Freitas do Nascimento exercia a função de delegado desde 2012 e estava à frente da delegacia de Rio Pardo de Minas há cinco anos. 

“Nossa delegacia emitiu o mandado preventivo de prisão do investigado. Não admitimos, em nenhuma circunstância, qualquer tipo de ilegalidade dentro da nossa corporação. A investigação foi feita de maneira isenta, como qualquer outra”, ressalta o delegado Renato Nunes Henriques, chefe do Departamento de Montes Claros.

Renato Nunes ainda pontuou que acredita que a má conduta do delegado de Rio Pardo de Minas não tenha interferido no compromisso de investigação nos casos registrados na delegacia da cidade. 

Luís Cláudio Freitas foi preso e levado para um presídio de Belo Horizonte. O inquérito tramita em Montes Claros, na corregedoria no núcleo convencional.

Em nota, a Polícia Civil esclarece que jamais coadunou ou irá tolerar qualquer tipo de comportamento indevido, irregular ou prática delituosa por parte de seus servidores. 

Esclarece ainda que a Corregedoria está atuando juntamente com o MP para apuração dos fatos, respeitando sempre os princípios constitucionais vigentes. 

O advogado de Luís Cláudio não foi localizado para falar sobre o assunto.