Há nove meses, a empresária Carina* recebe mensagens com intimidações e xingamentos pelas redes sociais e celular de uma pessoa que ela sequer conhece. Com medo, a mulher registrou um boletim de ocorrência. Assim como ela, milhares de mineiros prestaram queixa na polícia para denunciar crimes cibernéticos.

Só neste ano, de janeiro a agosto, foram 15.872 vítimas no Estado, uma média de 65 por dia. A quantidade é 15% maior se comparada ao mesmo período de 2016. A ameaça está entre os que delitos mais relatados em 2017, com 5.465 ocorrências.

Maior acesso à internet, falta de preocupação dos usuários com dados e informações compartilhados e a sensação de impunidade são algumas explicações para o crescimento dos crimes no ambiente virtual. “Os criminosos continuam porque estão tendo sucesso, mas eles desconhecem que podem ser rastreados, mesmo em perfis falsos”, alerta o presidente da Comissão de Crimes Eletrônicos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB–MG), Luis Felipe Silva Freire.

Para Carina, que foi vítima de uma pessoa real e não de um perfil falso, o agressor virtual não tem medo de praticar o por acreditar que a vítima não tomará providências. “Só consegui resolver quando a polícia a notificou, mas, para mim, não teve fim. Ela ainda me vigia, manda mensagens. Nada de definitivo acontece, ela não será presa, então continua (a agir)”, lamenta.
 
COMO SE PROTEGER

Estelionato também está entre os principais crimes cibernéticos. Mesmo conhecendo os riscos, muitas pessoas continuam a clicar em links de remetentes desconhecidos ou compartilham dados e informações particulares em redes sociais.

Porém, o delegado Frederico Abelha, da Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos, alerta o consumidor a estar atento a links e e-mails suspeitos. Outra dica é realizar compras somente em sites seguros. Para verificar, é preciso conferir o cadeado que aparece do lado esquerdo da página, na parte de cima da tela.

“Na internet há pessoas tentando se aproveitar da ingenuidade alheia. Não existem promoções milagrosas e bancos não pedem dados nem atualizam informações on-line. Se desconfiarem de alguma coisa, entrem em contato com o gerente da agência”, orienta Abelha. *Nome fictício

Casos simples sem registro
Os números de ocorrências relacionadas a crimes cibernéticos chamam a atenção, mas poderiam ser bem maiores, pois muitas pessoas preferem resolver o problema sem acionar as autoridades.

A criação de perfis falsos, por exemplo, dificilmente causa transtornos para serem retirados do ar. Do mesmo modo, fraudes bancárias eletrônicas, relacionadas ao uso de internet banking e compras on-line, podem ser imediatamente reparadas pelos bancos.

A empresária Camila Campolina, de 25 anos, teve a senha roubada por criminosos. Eles conseguiram fazer uma transação de R$ 4 mil. “Quando percebi, entrei em contato com o gerente e ele rapidamente devolveu o valor. Foi fácil, não vi necessidade em ir até à polícia”, conta.

Já a fotógrafa Joana Costa, de 22 anos, não fez boletim de ocorrência para denunciar o uso de sua imagem por outras pessoas nas redes sociais. Segundo ela, perfis falsos já aproveitaram seu nome, fotos e vídeos, mais de dez vezes em perfis falsos. “É como se minha vida fosse mais interessante, e é isso que as pessoas querem mostrar”, opina Joana.

Segundo o presidente da Comissão de Crimes Eletrônicos da OAB–MG, Luis Felipe Silva Freire, em situações como essas, o problema é resolvido facilmente e causa pouco dano à pessoa. “O banco devolve o dinheiro rapidamente, e as redes sociais deletam os perfis falsos após denúncia. Tudo depende do tanto que prejudica a vítima. Se causa transtorno, a polícia deve ser procurada”, finaliza.