Há seis anos sem registro de chuvas significativas, a região Norte de Minas tenta driblar os problemas causados pela crise hídrica na região. Em Montes Claros, desde 2015 os quase 400 mil habitantes convivem com o racionamento de água para que o município não fique desabastecido totalmente.

Para tentar minimizar os problemas causados pela forte estiagem e não prejudicar o serviço, a Copasa tem buscado diversas alternativas. Em entrevista a O NORTE, a gerente do Distrito Regional de Montes Claros, Mônica Ladeia, diz que a estatal tem investido para garantir o abastecimento na cidade.
 
O que a Copasa está fazendo para solucionar o problema de abastecimento de água na cidade?
Em curto prazo, estamos fazendo a redução de perdas de água no sistema, perfurando e reativando poços – em torno de 30 – e melhorias nas Estações de Tratamento de Água (ETA) de Morrinhos e do rio Verde Grande. Estamos instalando também um reservatório na região do Ibituruna. Além disso, a empresa está trocando a rede antiga que, às vezes, vai dificultar um pouco a distribuição de água, e fazendo um gerenciamento da Barragem de Juramento. Estamos realizando ainda um trabalho de educação ambiental com jovens e adultos... palestras para sensibilizar a população a respeito do consumo consciente de água. Ainda neste primeiro momento estamos fazendo o programa “Caça Gotas”, que são vistorias na cidade em busca de vazamentos. Em médio prazo, temos a captação sazonal. Quando a chuva começar aqui na região nós vamos captar as águas do rio Verde Grande. Para o ano que vem estamos implantando a nova captação do rio Pacuí, que é uma captação de 340 litros por segundo. E, a longo prazo, temos a expectativa para a construção da barragem de Congonhas, que vai garantir o abastecimento da cidade de Montes Claros, mesmo neste período de escassez hídrica na região.
 
A captação de água do rio Pacuí vai ajudar a minimizar os efeitos do racionamento na cidade?
A Copasa já licitou essa obra e já deu a ordem de serviço. As empresas vencedoras começaram as obras em agosto deste ano. E a previsão de conclusão é de um ano. Acreditamos que em agosto de 2018 já conseguiremos captar a água da região. As intervenções incluem uma Estação de Tratamento de Água (ETA) e 56 quilômetros de adutora. As águas do rio Pacuí vão suprir a perda que tivemos nos mananciais superficiais devido à estiagem. Tivemos um grande período de seca, especialmente este ano. Estamos com um cenário de pouca chuva, que não foi suficiente para recuperar a situação da Barragem de Juramento. Então, mesmo chovendo no próximo ano, a gente não tem uma estimativa concreta de quanto será o volume de chuva, e se não precisaremos recorrer ao rio Pacuí. Por isso essa captação vai vir como uma complementação da Barragem de Juramento. Se tivermos um bom período chuvoso, a captação de água do rio Pacuí poderá ser menor do que o previsto.
 
Houve um planejamento por parte da Copasa para este grande período de estiagem?
Sim. Desde 2015 trabalhamos com a população o conceito de consumo consciente. Na realidade nós tínhamos a expectativa de uma redução no consumo em torno de 20%, porém conseguimos alcançar apenas 7%. Aliado a isso, nós tivemos uma piora e aumento no período de estiagem na região, o que potencializou a crise hídrica. Pensando nisso, nós criamos alternativas como a diminuição de perdas de água através da detecção de vazamentos na rede de distribuição, a manutenção de poços, além da captação da água do rio Verde Grande.
 
Como a Copasa está tratando a questão do abastecimento de água para as grandes empresas da região?
Estamos em constante contato com as principais indústrias da região. Até o momento não houve nenhuma interrupção na distribuição de água. O que estamos estudando é a possibilidade de interromper o serviço por seis horas uma vez que essas grandes indústrias têm reservatórios, o que não iria afetar a produção dessas localidades. Isso será uma medida extrema caso a situação na região Norte de Minas piore devido a forte estiagem.
 
Que alerta a Copasa faz à população neste momento?
Infelizmente, as pessoas têm a cultura de lavar calçadas, ruas e carros com mangueiras. Não é o momento de fazer esse tipo de coisa. Vamos reaproveitar a água das roupas, diminuir o tempo de banho, não deixar a torneira aberta durante a lavagem das louças. As pessoas têm que lembrar que estamos em uma região semiárida e que a economia de água significa a garantia do serviço para todos. Pequenas atitudes podem ajudar a diminuir o consumo.