Caminhoneiros fecharam parcialmente, ontem, o km 509 da BR–251, em Francisco Sá, em protesto contra o aumento do diesel. O trânsito ficou liberado para veículos de passeio, ônibus e ambulâncias, mas houve filas de carretas nos dois sentidos da rodovia. O ato nacional, com paralisações em pelo menos 13 estradas federais de Minas, foi em repúdio ao anúncio de mais uma alta, desta vez de 0,97%, a partir de hoje. Até o fechamento desta edição, a previsão era a de que a manifestação continuasse por tempo indeterminado. 

Na semana passada, foram cinco reajustes diários seguidos. A última alta ocorreu na sexta-feira, quando a Petrobras elevou o preço do diesel em 0,80% e o da gasolina em 1,34% nas refinarias. “Não dá mais para suportar estes aumentos do combustível, por isso este protesto nacional”, diz o motorista José Camargo, em Francisco Sá. 

Ele é do Sul do país e aderiu ao movimento no Norte de Minas. “O que a categoria quer é uma recondução do preço do petróleo e melhorias nas estradas. Não somos obrigados a pagar pelas roubalheiras do governo”, desabafou José Camargo.

Não foram informados quantos caminhoneiros aderiram ao movimento e nem a extensão do congestionamento na via. Segundo a Associação Brasileira de Caminhoneiros, a categoria pede a redução de impostos, como os cobrados sobre o óleo diesel, reivindicando que a alíquota de PIS/Pasep e Cofins seja zerada e a isenção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). 

De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel nas bombas já acumula alta de 8% no ano. O valor está acima da inflação no período, de 0,92%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O presidente Michel Temer convocou para ontem à noite uma reunião de emergência para discutir a alta do preço dos combustíveis. Até o fechamento desta edição, o encontro não havia terminado. 

Pela manhã, os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciaram para o dia 30 a instalação de uma comissão geral no Congresso que deverá acompanhar os desdobramentos da política de reajuste de preços de combustíveis no país.