A busca da população por alimentos mais saudáveis tem estimulado o uso de técnicas da agroecologia em Minas, uma prática que não utiliza insumos químicos na produção.

No plantio, a premissa é a diversidade de culturas, em oposição à monocultura, utilizando-se plantas que fornecem vários serviços ecológicos, como aquelas que aumentam a polinização, atraem inimigos naturais, melhoram as condições do solo e são comestíveis e/ou medicinais.

As semelhanças entre o produto agroecológico e o orgânico são muitas, principalmente no que se refere ao modo de produção sem o uso de agrotóxicos. A legislação do orgânico é utilizada para nortear a produção do alimento agroecológico, que tem um viés mais social, buscando a harmonia constante com o produtor, enquanto o orgânico, muitas vezes, ganha um apelo mais comercial.

Em Minas, a prática é impulsionada pelo governo estadual, por meio da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). Além disso, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) é o órgão responsável por certificar os produtos agroecológicos.
 
PESQUISA
Ao todo, a Epamig possui 12 programas de pesquisa, sendo a agroecologia um dos que mais cresceu nos últimos anos, tamanho o interesse da sociedade e, especialmente, dos pesquisadores dessa ciência.

“O princípio envolve todos os que estão nessa cadeia, sempre pensando no agricultor e no meio ambiente. Geramos conhecimento e tecnologias práticas”, ressalta a pesquisadora Madelaine Venzon, coordenadora dos estudos.

Com formação acadêmica no Brasil e no exterior e baseada na unidade da Epamig em Viçosa, na Zona da Mata, Madelaine diz que as pesquisas sobre a agroecologia são desenvolvidas a partir da demanda e da necessidade do agricultor, que interage com o pesquisador e o extensionista da Emater-MG.

Diferentemente dos pesquisadores que passam grande parte do tempo nos laboratórios, os extensionistas têm o papel de acompanhar o dia a dia da produção agroecológica, que é um dos oito temas da agenda estratégica da Emater-MG.

Segundo o coordenador estadual deste trabalho na empresa, José Luís Meirelles Ferreira, a ação vem sendo realizada, com os agricultores, na transição da agricultura convencional para a agroecológica, visando à segurança alimentar.

“Os técnicos vão se adaptando ao conceito, alguns têm perfis mais avançados e outros vão seguindo o caminho”, explica.

Ferreira ressalta que o trabalho tem caráter de transversalidade, que vai se espalhando e tem o objetivo de promover o aumento da qualidade de vida do cidadão com produtos sem aditivos químicos.

Congressos exploram o tema
A coordenadora de pesquisa da Epamig, Madelaine Venzon, explica que a agroecologia em Minas segue uma tendência nacional e mundial de crescimento. Ela cita o volume de trabalhos inscritos, que chegam a 2.500, para o VI Congresso Latino-americano de Agroecologia e o X Congresso Brasileiro de Agroecologia, que ocorrem em Brasília, de hoje a 15 de setembro.

O número recorde demonstra a preocupação de avançar em pesquisas para aplicar na produção, conservando a biodiversidade e os recursos naturais.
Um exemplo disso é a pesquisa desenvolvida com o ingá na produção cafeeira. O fruto se tornou um grande aliado, diminuindo a incidência de pragas, atraindo os inimigos naturais.

Já o produto orgânico tem métodos de produção parecidos com os do agroecológico. José Luís Ferreira, da Emater-MG, diz que a legislação é bastante criteriosa para se chegar à certificação, que tem uma série de condicionantes, como qualidade, onde e por quem ele é produzido e em que condições.

“Além da produção são trabalhados os aspectos social e ambiental para que o produto seja reconhecido como orgânico. É um mercado cobiçado e queremos bases bem sólidas para ele. Toda produção de hoje é absorvida, por isso a tendência é de crescimento”, assegura Ferreira.