O afago feito em vacas tem se mostrado excelente antídoto contra doenças, acelerando a recuperação pós-parto e ainda um importante estimulador da produção leiteira. É o que vem demonstrando estudo realizado com animais da raça gir leiteiro, na Epamig, em Uberaba, no Triângulo Mineiro. 

Os primeiros resultados da pesquisa comprovam que exemplares submetidos a “carinhos” diários não só produzem leite com mais qualidade, como em maior quantidade. Na comparação com exemplares tratados da maneira convencional, o aumento da produção leiteira foi de quase 2,5 quilos por animal. 

Pesquisadora do Instituto de Zootecnia de São Paulo e coordenadora do projeto, Lenira El Faro diz que os resultados são positivos não só do ponto de vista da produção, mas também da relação entre tratador e animal. 

“Na primeira etapa, trabalhamos bastante com o profissional que maneja e leva a vaca à sala de ordenha, destacando a importância de um manejo mais consciente, da necessidade de o profissional aprender a tratar o animal melhor. O resultado é positivo para ambos”, avalia. 
 
LEITE RESIDUAL 
A pesquisadora comenta ainda que o estudo já comprovou o impacto positivo do carinho na quantidade do chamado leite residual – retido pelas vacas após a ordenha visando à alimentação dos bezerros. Em animais que receberam o estímulo tátil, a reserva foi inferior a meio quilo, quase seis vezes menos, na comparação com o grupo sem manejo, o que resultou em 3 quilos a menos de leite ordenhado. 

“O zebuíno tende a esconder o leite para o bezerro. O que percebemos foi que, com a técnica, as vacas melhoraram o comportamento na sala de ordenha e o relacionamento com o ser humano. Não é que produziram mais, mas deixaram de reter”, detalha.