Reduzir as desigualdades sociais nas áreas mais pobres de Minas em uma época de poucos recursos disponíveis é um desafio grande. É o que teve que enfrentar neste ano a Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas (Sedinor), que atua em projetos em 258 municípios mineiros. A pasta comanda vários programas de ajuda a pequenos agricultores e comunidades para que tenham acesso a recursos básicos. 

O secretário Nondas Miranda, ex-prefeito da cidade de Serro, atendeu à reportagem de O NORTE para fazer um balanço das ações implantadas no ano de 2017, que somaram cerca de R$ 120 milhões em investimentos. 
 
O ano de 2017 foi bastante desafiador, principalmente na questão de investimentos. Qual balanço o senhor faz dessas ações?
Vejamos que a crise é no Brasil inteiro, tanto financeira como política, mas a Sedinor fez ações importantes na sua área de atuação. Tivemos a implantação de 309 sistemas coletivos de abastecimento, que beneficiam 8.305 famílias, com um investimento total de R$ 37,2 milhões em 52 municípios. Conseguimos instalar mais de 8 mil cisternas de polietileno, com investimento de R$ 44 milhões, em 18 municípios. Investimos R$ 13,9 milhões na construção de cisternas de placas, que atendem a 5.039 famílias em oito municípios. Foram mais de 1 milhão de metros de tubulação distribuídos, em 58 cidades, a um custo de mais de R$ 2 milhões e 240 caixas de água distribuídas em 40 municípios. Acabamos de entregar 470 quilos de sementes para produtores. São cerca de R$ 117 milhões investidos. Numa época tão difícil, são números consideráveis. 
 
Pelo que deu para perceber, o acesso à água é prioridade.
Exatamente. Pensamos em aplicar recursos para resolver os problemas hídricos da região, que são os principais do Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri e parte do Rio Doce. Praticamente todos os municípios dessas áreas têm problemas com falta d’água. Estamos enfrentando essa situação, pois sem luz ficamos vivos, mas sem água não dá para viver.
 
Quais os projetos da segurança hídrica para o ano que vem?
Nós estamos em conversa para fazer uma parceria em relação a nascentes. Temos um projeto do Ministério da Integração para revitalização de rios e outro projetos sendo desenvolvidos para a construção de barraginhas, de cerca de 7 mil metros quadrados, um porte de pequeno para médio. São 600 barragens que podem ser construídas para atender comunidades carentes. Já estamos negociando com Brasília essa parceria. O governador Fernando Pimentel tem um compromisso com essa parte da população. 
 
Tivemos também, recentemente, a inclusão de seis municípios na Sudene. Quais vantagens esse municípios poderão ter? 
A inclusão abre as portas para mais oportunidades. Todos esses municípios que trouxerem investimento de empresas de fora poderão dar benefícios financeiros. Tivemos ainda a notícia de que não haverá juros para os estudantes dessas cidades que contratarem o Fies (financiamento estudantil). São várias vantagens. Agora é cada um fazer sua parte.
 
Existe uma alternativa econômica surgindo para os municípios do Norte e Nordeste que é a energia renovável. Como a Sedinor vê esse caminho? 
Temos projetos desenvolvidos. O Banco do Nordeste vai atuar em toda a área da Sudene, com oferta de financiamento. É o grande foco no momento. Temos sistemas de captação de energia solar que estão ficando a cada dia mais baratos. O mesmo sistema para uma família de seis pessoas, que custa R$ 40 mil, pode ser adquirido por menos de R$ 20 mil. E ainda pode ser financiado pelo banco com taxas menores e juros mais acessíveis. Temos muito a fazer, mas temos muitos projetos prontos e que podem ajudar a economia desses municípios.