Levar ao salão de beleza, usar sapatinho no passeio ou deixar dormir na cama são só algumas das situações que comprovam a “humanização” dos pets. Mas quando o assunto é comida, apesar de muita gente considerar inofensivo oferecer um petisco aqui, outro ali, é bom abrir o olho. Alimentos que fazem bem para nós, humanos, podem ser extremamente tóxicos para cães e gatos, predispondo a doenças e até levando à morte. 

Caso dos tradicionais temperos cebola e alho. Importantes antioxidantes, eles contêm n-propildisulfito, que provoca, dentre outros sintomas desagradáveis nos bichos, anemia severa. “Atendemos um cachorrinho que precisou de duas transfusões de sangue e quase morreu. O motivo foi uma anemia grave desencadeada por intoxicação por alho e cebola”, comenta a veterinária especialista em endocrinologia Marina Madeira. 

Segundo a profissional, os sinais de que algo tóxico foi ingerido incluem vômitos, diarreia, prostração, fraqueza e depressão (tristeza). Cada tipo de alimento, porém, pode gerar sintomas ainda mais específicos, desencadeando, inclusive, doenças intestinais, metabólicas e renais. 
 
DROGA
Quase unanimidade no gosto popular quando o assunto é sobremesa, o chocolate aparece no topo da lista dos vilões para a saúde dos amigos de quatro patas. Além de conter metilxantina, estimulante do Sistema Nervoso Central, a iguaria possui teobromina, derivado do cacau não metabolizado pelo fígado dos pets. 

Em função disso, qualquer que seja a quantidade consumida provocará intoxicação semelhante à ocasionada pelas drogas no organismo humano. O mesmo acontece com bebidas alcoólicas consumidas acidentalmente pelos bichos.

“A era dos restos de comida e de dividir pedaços de guloseimas com eles acabou. Produtos para animais são desenvolvidos especialmente para o organismo deles, mais sensível”, enfatiza a veterinária, nefrologista e urologista Cibele Eiras Ruiz, da clínica Bele Bichos. 
 
RUIM PARA OS RINS
Outros dois alimentos que podem parecer inofensivos, mas, definitivamente, não são, uva e uva-passa podem provocar um verdadeiro estrago no sistema urinário dos animais de estimação, sobretudo dos gatos, nos quais doenças renais já são comuns. “Há casos em que o animal desenvolveu falência renal aguda severa depois da ingestão”, alerta Cibele Ruiz.

As veterinárias lembram, ainda, a importância de considerar a individualidade do animal e o surgimento de doenças como diabetes e obesidade. Somente um profissional está apto para definir que tipo de dieta cada bicho deve seguir, reforça Marina Madeira. “Quando se trata de alimentação, assim como os humanos, cada animal tem suas necessidades”, reforça, lembrando das quantidades adequadas para cada pet. 

Para se ter uma ideia, uma banana consumida por um cachorro equivale a seis ingeridas por um humano.