Quem tem criança em casa sabe a dificuldade para manter a arrumação diante de tantos brinquedos e objetos. A boa notícia é que medidas nada complicadas permitem ajeitar a bagunça, envolvendo a meninada na “missão”. 

Dica número um ao pensar na arrumação de um quarto infantil é priorizar organizadores com formatos, cores ou materiais diferentes entre si. O objetivo é facilitar a setorização e, portanto, a identificação de onde deverá ser guardado cada objeto, seja a distinção feita por tipo de brinquedo ou pela frequência de uso. 

Fuja de materiais quebráveis ou que estragam com facilidade, como o acrílico, e de cestos muito grandes, que vão, simplesmente, concentrar a bagunça. Categorizar, criando kits, facilita na hora de brincar e de voltar tudo para o devido lugar. 
 
DICAS
Expert em pôr a casa em ordem, a personal organizer Letícia Cordeiro diz que a estratégia do lúdico sempre funciona bem, sobretudo com crianças mais novas. “Ajuda a desenvolver o senso de responsabilidade”, comenta. Importante, porém, é começar o envolvimento desde cedo e cobrar. 

Ao escolher os acessórios usados para armazenar cada coisa, siga a regra de facilitar a vida do dono do quarto. Caixas, por exemplo, são seguras, duráveis e práticas, pois podem ser carregadas de um lado para o outro. Organizadores feitos de tecido também são uma mão na roda na hora da limpeza, pois podem ser lavados a qualquer momento. 
 
ROUPAS
Setorizar o guarda-roupa também facilita, e muito! “Acho bacana colocar as fantasias, que as crianças adoram, em espaços mais baixos, pois ficam ao alcance das mãos”, ensina Letícia. 

Etiquetar as gavetas com os nomes das peças ou adesivá-las com as respectivas imagens – caso a criança ainda não saiba ler – ajuda na hora de voltar o que foi usado para o lugar de origem. O ideal é que a bagunça não fique acumulada, mas seja resolvida diariamente. 

Deixar à mão objetos que são usados todos os dias, como as mochilas, também é mais prático do que armazená-los em espaços fechados (armários com porta) ou altos demais. Experimente pendurá-los em ganchos fixados na altura da criança, recomenda Letícia Cordeiro. 
 
RODÍZIO
Propor um rodízio entre todos os brinquedos disponíveis e os que devem ser usados antes ou depois é outra forma de facilitar a convivência harmônica entre os espaços de dormir e brincar e evitar a baderna. 

A ideia é que a criança consiga utilizar tudo o que tem, não necessariamente ao mesmo tempo. 

“Gosto muito de separar um espaço no pé da cama, como se fosse um móvel estreito, ou entre a cabeceira e a parede. Outra opção é uma espécie de balanço com várias prateleiras colocadas ao lado da cama. Dá para selecionar os brinquedos preferidos”, diz a personal organizer. 

Livros, por sua vez, ficam mais bem acomodados e organizados em estantes fixadas na parede. Atenção à altura para deixá-los sempre disponíveis. 


Autonomia e colaboração
Planejar o quarto da criança pensando nela é outra estratégia inteligente que facilita não só na hora da arrumação como nos ensinamentos sobre organização dos espaços. Desenvolvido pela médica e educadora Maria Montessori, o método montessoriano nada mais é do que uma forma de prezar a autonomia e o desenvolvimento natural dos pequenos conforme o ritmo deles.

Na decoração, a palavra-chave é independência. Psicóloga e designer de interiores, Fabiana Visacro acredita que mais do que uma tendência, o estilo é um modo de enxergar a vida. “Tudo gira em torno da autonomia da criança. Cama mais baixinha, que permite que ela acorde e circule pelo próprio quarto explorando os espaços e roupas penduradas em araras ou cabides ao alcance das mãos”, explica. 

Ao projetar o espaço, o ponto de partida deve ser as alturas dos móveis. Cabides, gavetas, nichos e prateleiras devem seguir o tamanho do dono do quarto – aproximadamente 75 centímetros para crianças entre 7 e 8 anos. Uma dica importante é montar as estruturas de forma que ao longo dos anos possam ser reajustadas para o alto. 
 
SEPARAÇÃO
Ainda conforme Fabiana, independentemente de estarem à disposição da criança, objetos e espaços destinados a brincar devem ser estrategicamente posicionados no quarto de forma que não atrapalhem o sono nem os estudos. 

“Se a área (de estudo) fica dentro do quarto, é recomendado que haja uma delimitação para não desviar o foco da criança”, avisa.