A Hyundai aprendeu como poucos a receita de se vender carro no Brasil. Depois de cativar o mercado com a primeira geração do Tucson e posteriormente com modelos como i30 e Azera, que deram ao consumidor a sensação de ter um importado com preço de nacional, desde 2012 o compacto HB20 se tornou uma coqueluche, e o jipinho Creta não tem fugido à regra.

Em 2017, primeiro ano de mercado (o modelo foi lançado no finalzinho de 2016), o utilitário-esportivo (SUV) compacto emplacou quase 42 mil unidades, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O número lhe garantiu o terceiro lugar no imenso segmento de SUVs – que engloba de tudo, desde o aventureiro JAC T40 ao aristocrático Land Rover Range Rover. 

O bom desempenho do Creta se deu por entender a lógica do mercado. O brasileiro anda de romance com jipinhos e o sul-coreano coloca no mesmo pacote o supervalorizado status “premium” que a marca conquistou no Brasil, com o preço agressivo, o conteúdo e a boa fama do HB20.

Testamos a versão Sport 2.0 (que é a opção mais acessível com a unidade Nu de 166 cv), com preço inicial de R$ 96.350. Acima dele apenas a topo de linha Prestige, que ultrapassa a barreira dos R$ 100 mil. 

Ao contrário das opções com motor 1.6 de 128 cv, a Sport só é oferecida com transmissão automática de seis marchas. Nada de anormal, uma vez que a caixa manual só existe para posicionar o modelo numa faixa de preço abaixo de R$ 80 mil e serve de chamariz para o consumidor, que em sua esmagadora maioria quer uma opção automática pela comodidade e garantia de revenda mais fácil no futuro.

Hyundai Creta sport 2.0

O que é?
Utilitário-esportivo (SUV) compacto, quatro portas e cinco lugares.
 
Onde é fabricado?
Na unidade de Piracicaba (SP).
 
Quanto custa?
R$ 96.350
 
Com quem concorre?
O Creta Sport 2.0 concorre numa faixa mais “abastada” dos jipinhos de entrada, como Chevrolet Tracker Premier 1.4 (R$ 98.790), Ford EcoSport Titanium 2.0 (R$ 96.850), Honda HR-V EX 1.8 (94.600), Jeep Renegade Longitude 1.8 (R$ 96.490), Nissan Kicks SL 1.6 (R$ 95.990), Peugeot 2008 Griffe THP 1.6 (R$ 89.190) e Renault Captur Intense 2.0 (R$ 93.650)
 
No dia a dia
O Creta é um legítimo jipinho urbano que ascendeu na última década para suprir a necessidade do consumidor por um automóvel citadino, com porte mais robusto. Com 2,59 metros de entre-eixos, ele oferece nove centímetros a mais que o HB20, que somada a posição mais elevada da direção garante bom espaço para quatro adultos e satisfatórios 430 litros no porta-malas.
 
O Creta tem boa montagem, mas não se deve elogiar a qualidade dos materiais. Os plásticos são duros por todos os cantos, que o torna inferior a concorrentes como Jeep Renegade, Honda HR-V e principalmente ao Nissan Kicks, que oferece um dos melhores acabamentos (na versão SL). 
 
No uso cotidiano, seus 4,25 metros de comprimento não prejudicam no trânsito urbano. É um carrinho fácil de manobrar, a visibilidade é boa, mas a câmera de ré é fundamental para evitar “beijinhos” durante balizas. O pacote de conteúdo se destaca pela direção elétrica, ar-condicionado digital, computador de bordo, multimídia com conexão para smartphone e bancos em couro que elevam a comodidade no uso diário. Comparado ao Prestige 2.0, ele se difere apenas pelo aerofólio mais avantajado que não altera em nada o restante do carro. 
 
Motor e Transmissão
O motor Nu 2.0 de 166 cv e 20,5 mkgf de torque é um velho conhecido do consumidor e equipa modelos como o veterano Tucson e o (nem tão jovem) ix35. A unidade não difere em nada de outro motor aspirado de mesmo volume, mas a combinação com a unidade automática de seis marchas contribui para melhor eficiência.  
 
Como bebe?
A média de consumo no combinado entre trajeto urbano e rodoviário, com álcool, foi de 8,6 km/l, um valor justo para um carro de quase 1,5 tonelada. O que compromete sua autonomia é o tanque de apenas 55 litros, que pode ser suficiente nas versões 1.6, mas não com o motor menos comedido.
 
Suspensão e freios
A suspensão do Creta não traz nada de especial ou superior ao mercado. Ele utiliza conjunto independente (McPherson) na dianteira e eixo rígido na traseira. Os freios também são espartanos, com disco nas rodas dianteiras e tambor na traseira, o que definitivamente comprova que o emblema Sport é só um apelido. O jipinho ainda conta com auxílio de controle de estabilidade (ESP) e assistente de partida em rampa (Hill Holder).
 
Pontos positivos
Pacote de conteúdos
Montagem
Espaço interno
 
Pontos negativos
Tanque de combustível de apenas 55 litros
Acabamento pobre