Nestes tempos em que o frenesi por likes dita comportamentos, ficar bem na foto é mais que força de expressão. Pesquisa da Academia Americana de Plástica Facial e Cirurgia Reconstrutiva mostrou que a procura por procedimentos não cirúrgicos aumentou 55% de 2016 para 2017. Motivo? Ficar livre dos filtros embelezadores dos aplicativos e sentir-se 100% satisfeito com o resultado original das selfies! 

Aplicação de botox e rinoplastia encabeçam a lista das técnicas mais disputadas, comprovando a preocupação de um terço dos pacientes consultados com a naturalidade do pós-retoque. Em mais da metade dos casos, os procedimentos foram feitos em pessoas na casa dos 30 anos. 

O dermatologista Lucas Miranda reforça a teoria de que a “era das selfies” têm gerado uma corrida às clínicas de estética, sobretudo facial. “A autoavaliação através da foto é muito mais crítica do que pelo espelho. Mas, ao mesmo tempo em que vivemos uma geração que fotografa muito mais, as pessoas têm se preocupado, na mesma medida, com bem-estar, qualidade de vida e equilíbrio. Ninguém quer ficar esticado ou sem expressão”, pondera. 

Para o especialista, o mais importante é resolver a equação entre as queixas levadas pelo paciente e o que de fato mostra a avaliação profissional. “Muitas vezes, há uma dissociação entre aquilo que é reclamado e o que realmente precisa ser feito. Traço um mapa e seguimos um plano”, explica. 
 
ZOOM NO ROSTO
Adepta dos upgrades sem corte, a empresária, consultora de imagem e influenciadora digital Geralda Francisca, de 40 anos, ilustra bem a pesquisa realizada nos EUA. Botox, laser anti-manchas e procedimentos para estimular a produção de colágeno fazem parte da lista de “melhorias” realizadas por ela pelo menos a cada seis meses. 

“Adoro uma selfie e tenho hábito de dar zoom no meu rosto. Gosto de estar bem preparada em qualquer ocasião, mas parecer sempre natural”, diz, lembrando que prefere manter-se o mais próximo possível da aparência original. 

Aos 33 anos, Nelma Luísa Alves de Araújo ainda não substituiu o espelho pela foto na hora de dar aquela conferida no visual. “Estabeleci limites para não viver escrava da perfeição. Meu acordo com a médica é não parecer outra pessoa”. 

De fato, esse tipo de cuidado é essencial, lembra a médica Patrícia Lycarião, que atende a engenheira há um ano. Segundo ela, não há receita para definir se um rosto é mais, menos bonito ou se precisa dessa ou daquela intervenção. “Não há padrão de beleza nem receita de bolo para deixar um rosto mais harmônico. O que fazemos é colocar mais luz ou sombra em certos pontos da face, assim como se faz na fotografia”, explica.

Tratamento individual e prevenção fazem diferença
Levar em conta a individualidade do paciente e as necessidades de cada rosto é tão ou mais importante do que simplesmente almejar a selfie perfeita. Biomédico com habilitação em estética, Thiago Martins lembra que buscar um profissional capacitado faz toda a diferença no resultado obtido.

“Muita gente se preocupa demais com o rosto e esquece do colo e do pescoço, por exemplo. O trabalho deve ser completo e preventivo para gerar resultados satisfatórios”, lembra o profissional. 

De olho em mudanças pontuais no rosto e que incomodavam principalmente nas fotos, a advogada Chiara Pontello resolveu, ao completar 30 anos, buscar soluções estéticas para garantir o viço da pele, sobretudo do rosto. O principal objetivo, segundo a moça, era evitar o agravamento de marcas desagradáveis, como linhas finas de expressão e rugas na testa, e ficar mais satisfeita com as selfies. 
 
DICA
Para quem alega falta de recursos, de tempo ou qualquer outro motivo para fugir dos especialistas, vai uma dica profissional para a próxima vez que se arriscar a fazer um clique de si mesmo: evite manter a câmera do celular a menos de 1,5 metro – distância considerada perfeita para não causar distorções faciais. 

Mais que isso: se optar por esticar o braço na hora da foto, fuja dos 30 centímetros entre o smartphone e o rosto. A essa distância, o nariz – um dos incômodos mais frequentes relatados nos consultórios médicos – pode parecer 30% mais largo!