A Porsche vive um doce dilema (que a maioria das fabricantes queria ter) de evoluir o 911 sem macular suas linhas e seu conceito de engenharia. O cupê nascido em 1963, sob os traços de Ferdinand Alexander Porsche, se encorpou durante os anos, ganhou tamanho, peso e potência. E o ponto máximo dessa evolução é o GT2 RS, que foi atração da marca no Salão de Frankfurt. O superesportivo chega ao mercado no ano que vem perto dos US$ 300 mil. Ele virá inclusive para o Brasil, onde deverá beirar os R$ 2 milhões.

Esta é a quinta edição da linha GT2, que nada mais é que um carro de corrida homologado para uso urbano. A versão é ainda mais potente que a GT3 (que segue as determinações da categoria da FIA que lhe cede o nome) e que lhe empresta o chassi de corridas. Segundo a Porsche, a estrutura utiliza um sistema de junção dos componentes conectados à carroceria que oferece maior estabilidade e rigidez, o que torna o GT2 RS mais firme nas entradas e saídas de curva.
 
POTÊNCIA 
O motor também foi cedido pelo GT3. A unidade boxer biturbo 3.8 de 500 cv foi totalmente retrabalhada para desenvolver 700 cv e 75 mkgf de torque (29 mkgf a mais que no irmão “mais fraco”). A usina é acoplada a uma transmissão PDK de dupla embreagem e sete marchas, que conta com programa para uso em pista batizado de Intelligent Shift Program (ISP). A tração é traseira, o que faz dele um carro extremamente difícil de ser domado. Mas quando se pega o jeito... 

Em termos aerodinâmicos, o GT2 foi projetado para oferecer a melhor performance em pista. Basicamente ele conta com seis tomadas de ar, duas sobre o capô, duas na laterais e duas acima do capô traseiro e que ajudam na estabilidade. A asa dianteira mantém a dianteira sempre presa ao chão, assim como a traseira gera sustentação negativa para garantir que as rodas grudem no asfalto e todo o torque seja aproveitado. O GT2 RS é tão bruto que acelera de 0 a 100 km/h em 2,8 segundos e vai até 340 km/h. 

A combinação entre aerodinâmica e conjunto motor permitiu que no dia 20 de setembro o piloto da marca, Lars Kern, marcasse o tempo de 6 minutos 47,3 segundos no Anel Norte (Nordschleife) de Nurburgring, se tornando o carro de produção (a combustão) mais rápido no chamado “Inferno Verde”.