Originalmente usado como opção rústica e menos trabalhosa de piso, o cimento queimado caiu no gosto popular e, rapidamente, virou o queridinho da decoração moderna. Recriado em forma de textura pronta, vendida em latas, o material, que tem bom custo-benefício em relação a outros tipos de revestimento, como mármore e porcelanato, deixou o segundo plano para virar protagonista em paredes de variados ambientes. 

Um dos pontos positivos do material, que tem uma pitada de sofisticação e modernidade, é a facilidade com que cai bem em locais modernos, arrojados, clássicos ou até mesmo mais despojados. O motivo, avalia a arquiteta Nina Abadjieff, é o poder transformador e o fato de ser um verdadeiro curinga, que chama a atenção sem roubar a cena.

“Não existe regra para usá-lo. E no caso das texturas (tintas que reproduzem o aspecto do cimento original), além de possibilitarem o uso de cores diferentes, e não só do cinza, podem dar um toque moderno e suave sem brigar com uma decoração clássica, por exemplo”, explica.

A dica da profissional é ficar de olho nas composições e, principalmente, nas combinações de cor. Se o ambiente já tiver cinza demais – o pretinho básico da decoração –, por exemplo, a melhor receita é priorizar a mistura e o degradê, evitando a monotonia. Também vale apostar em pontos de cor nas paredes e em objetos decorativos, orienta Nina. 

“Num ambiente clássico, recomendo tons mais claros e uma textura mais uniforme, que dá um toque moderno e suave, valorizando o estilo. Também é permitido brincar com tonalidades semelhantes, criando uma ideia de continuidade e harmonia em todo o espaço”, ensina. 
 
NOVO BRANCO
O arquiteto Júnior Piacesi ressalta ainda a versatilidade do material, que chama de “novo branco” da decoração. O motivo é que apesar de ter textura bastante particular, irregular e uma identidade rústica, ele não fica pesado quando colocado ao lado de materiais e composições mais nobres. 

“O cimento queimado e suas diferentes variações combinam com tudo. É um material muito versátil, que pode ser usado com madeira, mármore, em pisos, paredes e até em móveis”, justifica o profissional. 

Quem optar por usá-lo da maneira mais, digamos, primitiva, ou seja, no piso, tem sinal verde, desde que redobre a atenção no momento de instalá-lo. 

“O cimento queimado nada mais é do que uma nata aplicada no momento em que se executa o contrapiso. Nesse processo é importante colocar juntas de dilatação, evitando que o material quebre. Por ser um produto muito artesanal (o original e não o industrializado), pode ser que haja trincas, o que é supernormal”, reforça o arquiteta.