Mudanças sutis no comportamento dos gatos podem sinalizar que a saúde do bichano não vai muito bem. Alterações no apetite e no peso, sede acentuada e xixis mais frequentes são pistas que ajudam a diagnosticar doenças típicas dos felinos. 

Condutas adequadas à espécie – que se diferencia, e muito, dos cães – e visitas rotineiras ao veterinário também auxiliam na descoberta precoce de problemas e potencializam efeitos de tratamentos, até quando a doença não tem cura.

Caso da FeLV. Transmitida pelo contato entre os gatos por meio da lambedura, a doença afeta o sistema imunológico do animal, que fica fragilizado e suscetível a infecções secundárias. Quanto mais cedo descoberta, melhor. 

“Fico muito atenta a qualquer mudança no comportamento dele e a sinais de queda na imunidade. A ração também é da melhor qualidade”, conta a universitária Mariana Diniz Maciel, de 28 anos, que não descuida de Logan, de 1 ano e 9 meses. Em março de 2017, o gatinho foi diagnosticado como portador do vírus da leucemia felina.
 
GATO É GATO
Especialista em clínica médica de felinos, a veterinária Priscila Malta Jácome reforça que tratar “gatos como gatos” está longe de ser um conselho óbvio. “Cães e gatos são espécies diferentes, com cuidados, necessidades e abordagens, em algumas situações, inclusive opostas”, frisa. 

Nada de deixar o pet passear na rua e ter contato com animais desconhecidos, por exemplo. Esse tipo de comportamento pode expor o bichano não só a brigas – principal forma de contaminação por FIV, vírus da Aids felina – , mas deixá-lo suscetível a outra grave infecção de pele, uma zoonose, a esporotricose, que é transmitida ao homem. 

“As desvantagens de um gato ter acesso à rua são enormes. Eles não gostam de sair. Precisam é de um ambiente ideal, enriquecido com prateleiras, verticalizado”, explica a especialista em felinos Fabiana Luiza Lima Goulart Torres.

GANHO DE PESO
Desencadeado principalmente pelo ganho de peso, o diabetes é outra enfermidade comum em gatos e que pode ser evitada pelos donos. Basta ficar de olho no que o pet consome e priorizar rações de boa qualidade. 

É o que faz, hoje, o analista de sistemas Brian Luppi Pimentel, de 31 anos. Ele cuida de Virgílio, de 9, que tem a doença. “Fui descuidado com a alimentação. Oferecia rações mais baratas e em quantidade maior, temendo que não fosse suficiente para ele e a Cassandra (a gata da casa). Com isso, engordou muito”. 

A obesidade nos felinos aumenta em até quatro vezes a chance de aumento de glicose no sangue. 

Hidratação é fundamental
Sinais sutis como aumento da ingestão de água e da produção de xixi podem até passar despercebidos para tutores de gatos, mas denotam um problema sério e muito comum a felinos: a Doença Renal Crônica (DRC). Caracterizada pelo funcionamento deficitário dos rins e sem cura deve ser diagnosticada o mais cedo possível para que o tratamento seja eficaz. 

Especialista em felinos, a médica veterinária Fabiana Torres chama atenção ainda para alterações no apetite do animal. A dica dela, além de ficar de olho nos hábitos do pet, é acostumá-lo desde novinho a ingerir alimentos pastosos e muito líquido. 

“É preciso derrubar o mito de que sachê engorda e de que deve ser oferecido só como petisco. Gatos precisam consumir alimentos úmidos diariamente desde pequenos”.
 
MAIS ÁGUA
Para estimular a ingestão de água, a veterinária Priscila Malta Jácome aconselha aumentar o número de bebedouros disponíveis, diversificar o tamanho dos vasilhames, optando, sempre que possível, por materiais como louça, vidro e plástico, e manter a água sempre fresca. 

“Gatos gostam muito de água em movimento, pois mimetiza a caça. Logo, as fontes são ótimas alternativas”, completa a especialista.

Embora a doença não tenha cura, o tratamento iniciado precocemente pode assegurar boa qualidade de vida ao animal doente.