São 67 anos “bem vividos, graças a Deus”, ostenta Gilberto Gomes, que enumera as profissões: engenheiro mecânico, especialista em linhas de transmissão, soldador elétrico, supervisor de segurança, espeleólogo, luthier, tocador de viola, compositor (com mais de 180 músicas), garimpeiro, vaqueiro, pedreiro, ambientalista, produtor rural. Mas é o artista plástico que ganha destaque nesta página e na exposição na galeria principal do Museu Regional do Norte de Minas.

Predomina na mostra, que segue até 26 de julho, peças esculpidas em pedra-sabão que o montes-clarense adquire em Congonhas e Diamantina. O material, segundo Gomes, é conhecido pela resistência e dureza, suportando grandes temperaturas, o que o torna versátil para diversas finalidades.

Como bom mineiro, a inspiração não poderia ser outra: Aleijadinho. “Foi através dele que a pedra-sabão ganhou a forma de anjos e diversos objetos que ornamentam igrejas”.

Enquanto passeava entre as peças expostas no museu, Gomes lembrava que tudo começou aos 7 anos, quando esculpia peças em giz colorido utilizando gilete na sala de aula do Grupo Francisco Sá, em Montes Claros. Naquela época, recebia o incentivo da professora dona Elza.

A professora o incentivou a utilizar outros materiais, como madeira. “Deixa para você fazer as peças em sua casa porque giz é caro e a diretora não vai gostar”, dizia ela, lembra Gomes.
 
VARIEDADE
Na verdade, nascia ali um artista multifacetado, que utiliza nessa mostra, além da pedra-sabão, vidros, madeiras, galhas de goiabeira, cedro, imburana de cheiro – encontrada em abundância no sertão mineiro – e até aroeira. 

“Estudei tudo o que pude sobre pedras preciosas e semipreciosas durante vários anos de minha vida. Comecei pela história dos bandeirantes, sobre o garimpo, tudo isso para aprender a andar, viver no mato, buscar inspiração na natureza”, afirma Gomes, fazendo questão de informar que gosta de “dormir nos matos, tomar banho nos rios, porque isso abre a mente para a arte”.

Várias ferramentas que o artista usa para esculpir foram fabricadas por ele. Com humildade, diz que “qualquer pessoa pode fazer arte, tendo boas ferramentas, a noção de simetria”.

Nessa hora, aponta para a obra intitulada “Bailarina”. Nela, conta que gastou apenas um dia para esculpir a partir de raiz de árvore seca que encontrou no rio Batatal, próximo à Cachoeira dos Cristais, em Diamantina.