Concebido para facilitar a inclusão digital e viabilizar empreendimentos, o Minas Comunica II será concluído nos próximos meses. Iniciado em 2014, o programa já chegou a 671 distritos do território. A previsão é abranger 688.

A iniciativa atinge 1,2 milhão de pessoas que viviam fora dos centros urbanos sem acesso à tecnologia de celular nos 17 territórios de desenvolvimento de Minas. 

Ao todo, os investimentos estaduais chegaram a R$ 112 milhões, por meio de crédito outorgado de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) à operadora Vivo, vencedora da licitação. O montante para a instalação da tecnologia em cada localidade é de R$ 162 mil. 
 
ACESSO 
Melhoria no atendimento a clientes é um dos pontos destacados por quem já foi alvo do Minas Comunica II. 

Que o diga o empreendedor Ronald de Carvalho Guerra, morador há 40 anos de São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto, na região Central, que tem pouco mais de 700 habitantes. Ele atua na área de turismo ecológico e tem um restaurante, enquanto a esposa produz doces. 

Na localidade, os moradores conviviam com um sistema precário. “Tínhamos apenas um telefone fixo e público. Depois se estendeu a outros pontos e, posteriormente, chegou a residências e ao comércio, mas apresentava problemas”, relembra Ronald. 

Segundo ele, a implantação do sistema móvel e da internet, há dois anos, melhorou a comunicação. “Sobretudo para atender melhor os nossos clientes também por mensagens pela internet. Em alguns pontos da região ainda pode melhorar”, diz.

Já moradores de Dom Modesto, que pertence a Caratinga, no Leste de Minas, relatam melhoria na qualidade de vida. “Facilitou demais, encurtou a distância, ganhamos tempo”, afirma o vereador Mauro César do Nascimento. 
 
REFLEXOS 
Subsecretário de Tecnologia da Informação e Comunicação da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), José Francisco Vieira da Silva Seniuk avalia o Minas Comunica II como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento econômico, por meio do turismo e da agricultura familiar para facilitar a venda de serviços e produtos.

Ainda de acordo com Seniuk, a telecomunicação foi bastante demandada durante os Fóruns Regionais de Governo, em alguns casos até mais que a saúde. “Havia o argumento de que, com o telefone, é possível fazer contato imediato com o médico”, exemplifica.

De acordo com o superintendente central de Governança Eletrônica da Seplag, Rodrigo Diniz Lara, há uma expectativa de que já estejam ocorrendo reflexos positivos no desenvolvimento da economia dos distritos. “Um exemplo disso é quando o dono de uma pousada divulga o seu empreendimento, troca mensagens instantâneas com seus clientes e recebe pagamento por meio da máquina de cartão de crédito e débito”.
 
PRÓXIMA FASE
Na primeira etapa, o programa levou telefonia móvel às sedes de municípios. Rodrigo Diniz diz que, com a conclusão do Minas Comunica II nos próximos meses, serão iniciados estudos para a terceira fase da iniciativa, que buscará a inserção de localidades que ainda não têm acesso ao serviço.

SAIBA MAIS
Estudo mostra impactos no crescimento econômico
De acordo com relatório produzido pelo Groupe Speciale Mobile Association (GSM) e a empresa Deloitte, em novembro de 2012, a telefonia móvel tem impacto sobre o Produto Interno Bruto (PIB), tanto em mercados desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento.

O documento se baseia em pesquisa de uso de dados e de crescimento econômico em 14 países, fornecida pela Cisco Systems, com base em seu “Índice de Rede Visual” (VNI -- Visual Networking Index), bem como em estudos da Deloitte sobre o impacto da telefonia móvel na produtividade, em 79 nações, e sobre os reflexos da tecnologia 3G em outras 96.

Com as informações do VNI, o levantamento revelou que a duplicação do uso de dados móveis resulta em um aumento de 0,5 ponto percentual na taxa de crescimento per capita do PIB nos 14 países, entre eles o Brasil.

Nos mercados em desenvolvimento, uma expansão de 10% na entrada do sistema aumenta a produtividade em 4,2 pontos percentuais.