Com o tema “Tragédia de Mariana”, desastre ambiental ocorrido há dois anos que provocou destruição e mortes na cidade mineira, o grupo montes-clarense Arraiá do Pequizá venceu o concurso estadual Quadrilhas no Arraial, em Belo Horizonte.

Este é o quarto ano consecutivo em que a equipe é campeã da competição de dança. Outros 13 grupos participaram do certame.

Há 16 anos o Arraiá do Pequizá, do bairro Maracanã, resgata a cultura dos festejos de São João. A ideia nasceu entre os jovens que se preparavam para a crisma e decidiram ensaiar a dança para apresentações na igreja.

Os ensaios do grupo para as apresentações em junho começam em janeiro. Hoje o Pequizá conta com 57 integrantes que se apresentam em diversos bairros da cidade e em outros municípios.

Anualmente o Arraiá do Pequizá escolhe um tema e conta a história em forma de dança. Em outros anos, o grupo abordou o êxodo rural e a dificuldade de as pessoas se adaptarem à vida das grandes cidades.

Em 2017, o assunto escolhido foi a seca, que castiga muitas famílias no Norte de Minas. Neste ano eles lembraram a “Tragédia de Mariana”, em que duas mineradoras romperam, provocando a destruição de dois distritos e a morte de 19 pessoas. A lama devastou a vegetação e poluiu rios. A tragédia é considerada o maior desastre ambiental ocorrido no país.

“Escolhemos este assunto por ainda ser algo recente e está praticamente esquecido pelos brasileiros. Todo o ecossistema da região ainda sente a dor do ocorrido. E os responsáveis por isso tudo foram punidos da forma que deveria? E nós como população que na época chorou junto àquelas famílias que perderam entes queridos, animais, plantações, seus lares, estamos cobrando soluções? Essa lama ainda tem ‘dono. Essa lama ainda tem ‘dor’”, diz Helloíne Martins, a noiva do Pequizá, integrante do grupo há anos no grupo. 

Helloíne destaca que, mesmo a história sendo contada por meio da dança, os membros do grupo e plateia se emocionam ao lembrar da tragédia.

“Não foi fácil coreografar essa história que temos que passar de forma sensível e ao mesmo tempo mantendo a alegria das danças de quadrilha. Ao final das apresentações, vemos integrantes emocionados, mesmo depois de tantas apresentações já feitas”, conclui. 

“Não foi fácil coreografar essa história, que temos que passar de forma sensível e ao mesmo tempo mantendo a alegria das danças de quadrilha” 
 
Helloíne Martins
Dançarina