A segunda edição do Circuito Gastronômico de Favelas vem sendo concebida para ser realizada entre março e julho de 2018, em nove comunidades de Belo Horizonte, uma de Betim e duas de Contagem. Vai crescer e agregar participantes.

O evento, em sua primeira edição, que aconteceu no segundo semestre deste ano e reuniu mais de 20 mil pessoas em seis eventos na Grande BH, além de divulgar e comercializar os pratos nas vilas e favelas participantes, ajudou famílias a superar dificuldades financeiras e vivenciar novas perspectivas quanto ao crescimento dos negócios.

Pela proposta, as comunidades integrantes da primeira edição Vila São José (Contagem), Jardim Teresópolis (Betim), Morro das Pedras, Alto Vera Cruz, Santa Lúcia e Serra (BH) permanecem e somam-se a elas, da capital, a Vila Dias, 1º de Maio, Flávio Marques Lisboa, Novo Ouro Preto e Acaba Mundo. A favela Marimbondo, de Contagem, também.

O planejamento está voltado para fazer mais uma edição voltada para seu foco, sem pulverizar o alcance do projeto e proporcionar aos integrantes a oportunidade de que estejam, até 2020, organizados em uma associação como protagonistas de sua história.
 
RECONHECIMENTO
Integrante da primeira turma de 32 atores sociais participantes do projeto, a moradora da Serra, em Belo Horizonte, Luciene Soares da Silva, explica que o Circuito trouxe reconhecimento para ela e também para a comunidade.

“Costumo dizer que o projeto resgatou valores, deu mais valor à minha vida, para minha comunidade e também aos meus produtos, que agora estão ainda mais conhecidos”, comenta, agradecida, a responsável pelos bolos no pote com os mais variados sabores.

Com a receita do Pastel Trem de Minas, Diones Ferreira, que mora na Vila São Vicente, em Contagem, venceu a expectativa com os eventos e comemorou a melhoria na venda dos produtos e os benefícios adquiridos durante as atividades de capacitação.

“Foi e continua sendo uma iniciativa válida e importante. Espero que tenhamos mais atividades formativas e novos eventos para que mais cozinheiros sejam capacitados e muitas outras pessoas conheçam nossos produtos”, comenta Ferreira.


Perspectivas e formações
Com apoio do Programa +Gastronomia, por meio do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), o evento foi criado para consolidar e difundir a identidade gastronômica como patrimônio imaterial das comunidades.

Idealizado pela Casulo Cultura, o projeto pautou-se em transformar a vida de pessoas com talento gastronômico e atentas às potencialidades que foram partilhadas nas atividades de capacitação, com atenção à diversidade, informalidade e benfeitorias.

“Esse movimento deu-me muita satisfação como pessoa e como profissional, alcançamos metas incríveis”, destaca a produtora da Casulo Cultura, Danusa Carvalho, ao destacar o Circuito Gastronômico de Favelas como seu melhor projeto no ano de 2017.

Os eventos geraram renda direta, com a venda de 9.500 pratos e mais de R$ 100 mil comercializados, para mais de 100 pessoas. Ao todo, uma tonelada de alimentos foi doada.
 
CAPACITAÇÃO 
Não é só de eventos que vivem os atores do Circuito. Eles participaram de quase um mês de atividades de capacitação e terão, em janeiro de 2018, mais um período de aprofundamento nas melhores práticas culinárias e de negócios.

Com novas parcerias, que incluem o Servas, o Circuito garantirá que cozinheiros participantes da primeira edição lidem melhor com a operacionalização dos negócios, burocracias legais e novas técnicas de marketing.

Entre 22 e 28 de janeiro, o Servas oferecerá para os cozinheiros um módulo do curso Cozinha Inteligente. A proposta do Circuito é capacitar e aperfeiçoar os atores gastronômicos ao máximo do seu talento. Para este novo período de capacitação, 25 já estão selecionados.