Depois de mais de meio século, finalmente o Ford Mustang chega ao Brasil, via importação oficial. O precursor dos Pony Cars acaba de ser lançado ao preço nada modesto de R$ 299.900, na versão GT Premium. Trata-se de um valor salgado, ainda mais quando se compara com o valor da versão nos Estados Unidos, onde custa US$ 39 mil (R$ 128.700).

Mas o Mustang, apesar de toda a euforia desse lançamento oficial, não é um novato no mercado brasileiro. Na década de 1990, pouco depois da liberação das importações, o esportivo do cavalinho reinou absoluto entre jogadores de futebol e pagodeiros. 

O Mustang era importado na versão GT, equipado com o mesmo V8 5.0 de hoje, mas que na época rendia pouco mais de 218 cv, ele era figurinha carimbada nos centros de treinamentos, assim como Mitsubishi Eclipse e Jeep Grand Cherokee.

A geração passada também chegou a ser importada em pequenas quantidades. Mas o peso da tributação fez dele um modelo tão exótico quanto o Dodge Challenger.

Mas agora é pra valer e o modelo chega para fazer frente ao arquirrival Chevrolet Camaro, que a GM vende por aqui há quase 10 anos. E para o consumidor a demora foi até positiva. Não pelo preço, que é assustadoramente caro, ainda mais para um automóvel que em sua terra natal parte do equivalente a R$ 82 mil.

O viés positivo se faz pela qualificação do Mustang. O cupê, até a geração passada, ainda era oferecido com suspensão com eixo rígido, mecânica defasada, consumo elevado e falta de pacote de conteúdos mais refinado. 

Mas para poder vender na Europa, onde o consumidor de esportivos tem uma grande oferta de carros projetados para andar rápido em estradas estreitas e sinuosas, era necessário evoluir o pônei. E também no próprio mercado interno, onde modelos asiáticos mais eficientes atraíram a atenção do consumidor jovem, que já não via sentido em bancar o Steve McQueen. Tanto que considerando os últimos 10 anos, apenas em 2015 o modelo conseguiu superar a marca de 100 unidades vendidas no mercado norte-americano. O carro evoluiu para se globalizar.


Evolução encarece esportivo 
A modernização do Mustang trouxe melhorias significativas em termos de eficiência e dirigibilidade. O esportivo passou a conta com opção de motor 2.3 EcoBoost de 310 cv, que aposentou o antigo V6 das versões de entrada. O V8 5.0 (302) do GT segue vivo desde os anos 1960. No entanto, passou por um banho de loja para elevar a potência para 466 cv e 56,7 mkgf de torque, que prometem aquele tranco forte esperado em todo Muscle Car.

A evolução veio com adoção de sistema de alimentação. Se em seus primórdios o 302 usava grandes carburadores e depois injeção eletrônica, a atual geração da unidade Coyote é dotada duplo sistema de injeção: direta e indireta, que se alternam de acordo com a exigência e o permitem acelerar de 0 a 100 em 4,3 segundos.
 
NUTELLA
Mas é bem verdade que junto com a modernização, a eletrônica também tirou do Mustang aquele “quê” de carro bruto e simples. Controle eletrônico de tração e estabilidade estão lá para garantir que o torque do cupê não irá deixá-lo dar coices como um cavalo chucro. Carro passou a contar com mimos que vão contra a proposta de 1964. Claro que a tecnologia de hoje seria ficção, mas o Mustang foi projetado para ser um carro barato, opção compacta aos Muscle Cars: desempenho e sem refinamento. 

O Mustang de hoje é Nutella, tem transmissão automática de 10 marchas, que ameniza consideravelmente o apetite do V8. Vem com suspensão com ajuste de carga dos amortecedores, freios a disco nas quatro rodas, pneus Michelin Pilot Sport 4S aro 19, quadro de instrumentos digital, multimídia, sistema de áudio premium e demais modernidades que fizeram do potranco um carro de luxo. Ficou puxado para a turma do pagode!