Embora o número de inadimplentes da Cemig tenha caído 9,43% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo intervalo de 2017, os cortes no fornecimento de energia aumentaram, na mesma base comparativa, 39,16% em todo o Estado, reflexo de um pente-fino para identificar, por exemplo, ligações clandestinas e consumos irregulares. 

Neste ano, a Cemig efetuou 240 mil cortes em Minas, num universo de 797 mil devedores. No mesmo período do ano anterior, eram 880 mil devedores, ocasião em que foram registrados 146 mil desligamentos de energia.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), os devedores eram 150 mil, de janeiro a março de 2017. No primeiro trimestre deste ano, esse número caiu para 100 mil. Foram realizados 95 mil cortes. 

“Em 2016, o reajuste de 30% em função da crise hídrica provocou aumento do número de inadimplentes e essa perda ‘explodiu’ em 2017, o que motivou a Cemig a intensificar ainda mais o trabalho do serviço de cobranças, para reaver esses valores. Nesse processo de negociação, os cortes são uma parte evitável”, afirmou o analista de Comercialização da Cemig, Johmerson Silva Neves. 

Além do combate à ina-dimplência, a empresa tem focado no monitoramento das residências e estabelecimentos comerciais que registram oscilações relevantes no consumo de energia, o que pode configurar “consumo irregular”. No popular, são os famosos “gatos”, que ajudam a inflar o número de residências que tiveram a luz cortada.

O procedimento adotado para essas ocorrências passa pela vistoria e/ou troca do medidor que tem seu funcionamento avaliado internamente, pela empresa. 

Em caso de fraudes confirmadas, a empresa pode acionar a Justiça para recuperar o valor devido em um prazo retroativo de 36 meses e o cliente pode ser condenado a uma pena de um a oito anos de prisão.

A empresa também recebe denúncias de “gatos” pelo site www.cemig.com.br ou pelo telefone 166. 

NEGOCIAÇÃO
O consumidor que tem débitos com a Cemig pode receber notificação por SMS, e-mail e contato telefônico. Nessa fase, é apresentada uma proposta de parcelamento do valor devido em até 24 meses, com entrada de 15% a 20% do total. No ano passado, 300 mil clientes optaram por essa modalidade e ficaram livres do risco do desligamento do serviço e de figurar na lista de maus pagadores do Serasa e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

Segundo o analista, há 400 mil clientes da Cemig nesses cadastros. No entanto, ele lembra que, durante o período de renegociação da dívida, o consumidor terá uma conta mais alta, já que acumulará os valores do uso mensal com as parcelas negociadas com a empresa, no mesmo boleto.

A estatal tem uma base superior a 8,2 milhões de clientes em todo o Estado.