Um cochilo inesperado ou uma brincadeira inocente no aconchego do lar podem apresentar mais riscos do que o esperado por pais de pequenos. 

Os acidentes domésticos, mais frequentes durante as férias escolares, já fizeram com que 4.931 crianças de zero a 14 anos fossem internadas em Minas de janeiro a novembro deste ano. Para 67 delas, o incidente foi fatal, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.

O que mais levou crianças à internação no Estado foram as quedas. Na estatística, estão inclusos desde simples tombos até escaladas em lugares inesperados. O segredo para evitá-las é não descuidar.

“Chegam casos de bebês que caem de trocadores porque o cuidador olhou para o lado ou abaixou para pegar algo. Não dá para fechar os olhos”, afirma o pediatra do Departamento de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), José Gabel.

É o que aprendeu da pior forma a representante comercial Milena Paiva, de 34 anos. Mãe de Gabriel, hoje com um ano, ela passou uma noite no hospital após a queda do bebê, na época com cinco meses.

“Eu sempre encostava na cama com ele em pé no colo após a amamentação e acabava cedendo ao sono. Um dia cochilei e acordei com o barulho do tombo e o choro”, conta.
 
SUSTO
Mesmo sempre de olhos abertos, dois recentes episódios chamaram a atenção da fonoaudióloga Keilla Bacchi, mãe de quatro filhos. 

“O Miguel, de 2 anos, entrou para o quarto e se trancou. O susto foi enorme, mas, apesar do nervosismo, tentei me manter calma e conversei com ele pela janela, conseguindo resolver a situação”, recorda.

Outro momento marcante para Keilla foi quando o mesmo filho escalou as grades da geladeira e tudo virou em cima dele. “A sorte é que não tinha nada que o machucasse”, relembra aliviada.
 
LETAL
Apesar de as quedas liderarem as internações, os afogamentos foram mais letais neste ano em Minas. Até o início de novembro, 35 crianças morreram afogadas em piscinas, banheiras e vasos sanitários.

Ciente disso, todas as vezes que vai até a casa da mãe com os dois filhos, onde tem piscina, a corretora de imóveis Andreza Oliveira, de 35 anos, não descuida. 

“A área da piscina fica sempre trancada. Nem a Maria Eduarda, de 9 anos, vai até lá sozinha. Perto das escadas colocamos portões para evitar a passagem”, conta.

Em casa, Andreza toma outros cuidados. Ela não deixa os brinquedos da filha mais velha espalhados pela casa, por exemplo, por causa dos riscos de o pequeno João, de 6 meses, engolir alguma peça.

Nos poucos minutos que os dois filhos ficam sozinhos em algum cômodo da casa, a mãe supervisiona por câmeras. “Enquanto tomo banho ou busco algo na cozinha, não me desligo. Sempre estou com a babá eletrônica ligada”, afirma.
 
VENENO
O contato com insetos e animais venenosos também tem levado muitas crianças para o hospital em Minas Gerais. Mais de 1.500, com idades de zero a 14 anos, foram internadas no Estado, entre 2009 e 2016, segundo dados da ONG Criança Segura. 

Os animais que mais feriram os pequenos foram os escorpiões, com 1.015 casos registrados no período. Outras 673 crianças foram atingidas por serpentes e lagartos. 

Já as picadas e o contato com insetos como aranhas, centopeias venenosas, abelhas e vespas, fizeram com que 151 crianças recorressem aos hospitais no Estado. 
Colaborou Léo Queiroz