O artesanato mineiro receberá investimentos de R$ 560 mil. Seis instituições foram contempladas no edital lançado pela Companhia de Desenvolvimento (Codemge), do governo do Estado. A iniciativa busca diminuir a informalidade do setor, fomentar as economias locais e capacitar os artesãos.

Os recursos serão repassados às entidades em até quatro parcelas. A primeira delas estará disponível ainda neste mês, segundo a companhia. As entidades beneficiadas terão que prestar conta dos gastos.

Quem está na expectativa pela verba é Maria Alves Ribeiro, de 61 anos. Ela faz parte da Associação Futurarte, de Betim, na Grande BH. O grupo, fundado há 14 anos, reúne dez artesãs em situação de vulnerabilidade social, na área rural da cidade.

As mulheres trabalham com tecelagem, cerâmica e cestaria, utilizando jornal, revista, sacos de cimento e ração, retalhos de couro e tecido, entre outros. “Entrei na associação em 2006, estava desempregada, o trabalho aqui mudou minha vida. Estamos precisando muito de material”, conta Maria Alves.
 
PRODUÇÃO 
A Cooperativa Marianense de Artesanato – Gente de Fibra, sediada em Maria da Fé, no Sul de Minas, quer aumentar a produção. Atualmente, os 20 artesãos da entidade fabricam, por mês, 200 peças decorativas e utilitárias, que são vendidas no showroom e para outras cidades brasileiras. Os produtos também são exportados para países como Espanha, Austrália, China e Chile. 

“A base do que fazemos é papel machê e cola. Um galão de cola de 50 quilos custa em torno de R$ 600, e dura um mês e meio. A gente não consegue comprar matéria-prima em quantidade para estocar”, diz Érica.

Com mais recursos, ela diz que será possível, inclusive, ter mais pessoas trabalhando no local. 

Diretora de Fomento à Indústria Criativa da Codemge, Fernanda Machado destaca ter buscado iniciativas similares em outros estados, sem sucesso. “O que há, normalmente, são editais para apoiar os artesãos a participarem de eventos. Aqui, o apoio às instituições será para que elas comprem matéria-prima e melhorem a produção, qualificação e comercialização”. 
 
MOVIMENTO
Segundo o Instituto Centro de Capacitação e Apoio ao Empreendedor (Centro Cape), o montante disponibilizado pelo certame irá injetar mais de R$ 340 mil na indústria para a compra de insumos. Para cada artesão favorecido, a expectativa é a de que dois outros trabalhadores sejam beneficiados indiretamente.

SAIBA MAIS
Incentivo à capacitação
Dentre as ações de apoio do governo do Estado ao setor está o Plano Quadrienal de Desenvolvimento do Artesanato Mineiro 2018-2021, parte do programa +Artesanato, lançado no ano passado. O documento se baseia em um tripé formado por qualificação, formalização e comercialização.  

O incentivo à qualificação se dará por meio de parcerias com instituições, como o Sebrae. Em parceria com a Junta Comercial de Minas Gerais, o plano auxilia a formalização do artesão como microempreendedor individual. Já o fomento à comercialização se dará a partir de apoio aos eventos na área.

Espaço para venda
A Vila do Artesanato em construção em Araxá, no Triângulo Mineiro, deverá ficar pronta ainda em 2018. Os investimentos somam mais de R$ 2 milhões, oriundos da Codemge.

A estrutura está sendo erguida próximo ao Grande Hotel, principal patrimônio turístico da cidade. A iniciativa busca comercializar produtos como tecelagem, escultura, bordados e alimentos. O modelo de gestão do espaço será definido junto aos artesãos.

O objetivo da vila é fortalecer a produção regional, buscando alavancar o reconhecimento do setor e participação no turismo e na economia regional.