A tecnologia digital tem impulsionado o agronegócio em Minas. Agricultores familiares e órgãos do Estado estão sendo estimulados a utilizar esses recursos para vendas, assistência, pesquisa e fiscalização do setor.

Para os agricultores, aumento da competitividade. Nas pequenas lavouras de café, a utilização de equipamentos de ponta tem contribuído para a obtenção de grãos com maior valor agregado, atraindo compradores de outros países. 

É o caso do produtor Ademilson Noiman Borges, de São Gonçalo do Sapucaí, no Sul do Estado, que neste ano espera produzir 740 sacas de café. Segundo ele, das 370 atualmente, 60% são comercializadas para o exterior. 

Borges começou a modernizar o processo de produção em 2008, quando assumiu os negócios da família. “Queria aumentar a competitividade. Os compradores internacionais chegam a pagar até cinco vezes mais pelo produto em relação ao preço praticado no mercado interno”, conta.

Informatizar a parte administrativa e adquirir equipamentos de última geração para a lavoura foram as medidas adotadas. Uma plataforma virtual ajuda o produtor a negociar diretamente com torrefadores de café de todo o mundo.

A expansão da tecnologia digital no campo ajuda, ainda, a aumentar os índices de sucessão no campo. “Com a melhoria da renda, os jovens querem permanecer na atividade rural”, observa o gerente da Divisão de Inovação e Tecnologia Ambiental da Emater-MG, João Carlos Guimarães.

GERENCIAMENTO
A gestão dos empreendimentos em tempo real também é destacada por ele. 

Segundo Guimarães, a Emater-MG possui um sistema on-line de fertilidade do solo que auxilia os extensionistas a orientar os agricultores familiares.  

A ferramenta ainda gera um banco de dados com informações sobre a fertilidade do solo do território mineiro.

Outro serviço oferecido pela empresa é uma plataforma on-line que permite consultar o preço recebido pelo produtor.  

TROCA DE INFORMAÇÕES
Em dezembro, a Emater-MG assinou termo de cooperação com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Informática) para transferência e customização de sistemas de informação desenvolvidos pela estatal federal para a empresa pública mineira. 

Por meio do convênio, o órgão estadual terá acesso a tecnologias digitais da Embrapa a fim de facilitar a disseminação de informações resultantes de pesquisa para os agricultores e produtores. 


Drones irão mapear parque cafeeiro do Estado
O uso da tecnologia para fomentar o agronegócio em Minas não fica apenas nas mãos dos produtores. Empresas e autarquias do Estado também estão recorrendo a recursos digitais na assistência, fiscalização e pesquisas.

Dois drones adquiridos recentemente pela Emater-MG irão auxiliar em pesquisas científicas e experimentos no Estado. Os equipamentos do tipo VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado) são diferentes dos modelos mais conhecidos, destinados ao lazer.

Inicialmente, os aparelhos irão mapear o parque cafeeiro do Estado, disse o gerente da Divisão de Inovação e Tecnologia Ambiental, da Emater-MG, João Carlos Guimarães.  

Em outro momento, irão serão disponibilizados a produtores rurais familiares por meio da assistência técnica. 
 
PADRONIZAÇÃO
Já o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) apostou em dispositivos móveis para auxiliar fiscais no campo. Desde março, Granjas Reprodutoras de Suídeos Certificados (GRSCs) instaladas no território estão sendo atestadas pelo órgão por meio de plataforma on-line.

A iniciativa busca padronizar as atividades dos servidores. Até então, o trabalho era feito em formulários impressos.

Minas possui o quarto maior rebanho nacional de suínos, com cerca de 5,1 milhões de animais, e o terceiro maior de matrizes fêmeas em reprodução, com 308.854 animais. 

Vinte e nove granjas abrigam cerca de 39 mil reprodutores de suídeos certificados. Com a nova tecnologia, a expectativa é a de transparência e agilidade no processo de supervisão para a certificação dessas unidades. 
 
PORTAL  
Diretor-geral do órgão, Marcílio Magalhães destaca ainda as ferramentas on-line que facilitam o dia a dia de quem precisa dos serviços do IMA. 

“Lançamos o Portal do Produtor. Lá, os próprios pecuaristas e agricultores podem emitir documentos que anteriormente somente eram obtidos presencialmente junto ao IMA”, frisa Magalhães.