Oriundo de Buenos Aires, onde nasceu há 71 anos, o desportista Juan Farina se apaixonou por Montes Claros desde que veio trabalhar na cidade na década de 1980. Ele chegou na Princesinha do Norte para promover a fabricante de bicicletas Peugeot, que havia se instalado no Distrito Industrial, na época em que incentivos fiscais eram dados por parte da Sudene a grandes multinacionais para se aportarem no município.

Porém, Montes Claros foi apenas a terceira paixão do portenho. Juan que nasceu apaixonado pelo ciclismo, entregou seu coração também a uma montes-clarense com quem se casou e vive um romance eterno: a professora Alayde Neves.

Já são 32 anos dedicados a promoção do ciclismo na região. Mas Farina anda meio desiludido não com o esporte, mais precisamente com a falta de apoio do município com o projeto. O ranking Bicimax, criado pelo argentino há 15 anos, já chegou a ter 12 etapas em suas realizações iniciais. Mas o tempo anda mesmo de vacas magras. Juan, que afirma nunca ter recebido apoio financeiro do município para as premiações dos ciclistas, diz que por fim, o apoio logístico também tem estado em falta.

“Jamais pedimos apoio financeiro ao município ou aos prefeitos, porém, sempre recebemos o apoio logístico para nossas provas, no formato de ambulâncias que realizam a segurança saudável de nossos competidores. No último ano, não tivemos esse suporte e tivemos que arcar com as despesas de contratar ambulâncias para a realização de cada prova, o que onerou nossas competições, já que para cada prova realizada temos que pagar cerca de 700,00 para que nossas competições, chanceladas pela Federação Mineira, sejam realizadas”, lamenta Farina.
 
CONSEQUÊNCIAS 
Arcando com o pagamento das ambulâncias, duas medidas tiveram que ser tomadas: a redução da premiação aos corredores e a consequentemente diminuição das etapas de competição.

“Em 2015, realizamos 10 provas com apoio logístico das ambulâncias do município, mas em 2016 tivemos que cumprir quase no osso a realização de oito provas do ranking Bicimax. Este ano, estamos reduzindo nossas competições para apenas seis provas, para que possamos, às nossas próprias custas, conseguir levar o campeonato até o final”, desabafa Juan Farina.
 
POSIÇÃO 
Procurado pela reportagem, o secretario municipal de Esportes, Igor Dias, informou que em função de custos operacionais, a prefeitura não pôde patrocinar o serviço de ambulâncias, principalmente para o ciclismo de estrada. O secretário informou ainda que deve se reunir com o desportista responsável na manhã de hoje para avaliar a possibilidade de apoio.