Eles dependem um do outro nos clubes e, não fosse o trabalho em conjunto, provavelmente teriam deixado de comemorar títulos e talvez não conseguissem mostrar o talento individual. Quando a bola rolar sexta-feira, às 15h em Kazan, no entanto, é cada um pelo seu país e nada de parceria. Uma situação pouco comum para vários destaques brasileiros e belgas, separados por uma Copa do Mundo.

Não faltam casos emblemáticos. O do Chelsea é ótimo exemplo. Desde a temporada 2013/2014, William e Eden Hazard são companheiros no ataque dos Blues – juntos, em 2017/2018, balançaram as redes 30 vezes (17 do belga e 13 do brasileiro). Curioso é que, se o camisa 10, ao longo de todo esse período, deu seis assistências para o parceiro, recebeu apenas uma em retribuição – o que não quer dizer que não haja entendimento entre eles em campo. E sob o comando do técnico italiano Massimiliano Allegri está também o goleiro Thibault Courtois, que não tem nenhuma dúvida do poderio do agora adversário.

E se Fernandinho terá a chance de substituir o suspenso Casemiro, encontrará do outro lado do campo ninguém menos que o companheiro de meio-campo Kevin de Bruyne – os dois foram pilares do Manchester City de Pep Guardiola, campeão da Premier League.

Uma conquista que também contou, apesar de contusão, com a colaboração decisiva de Gabriel Jesus, do lateral mineiro Danilo (ex-América) e do goleiro Ederson. 

A importância de brasileiros e belgas é tanta que o clube, que também conta com o zagueiro Kompany, fez questão de destacar o duelo no site dele na internet. Os dois colegas de Liverpool, por sua vez, começam, salvo mudanças surpreendentes, no banco: Roberto Firmino é, ao lado do egípcio Salah e do senegalês Mané, um dos destaques dos Reds. Já o goleiro reserva Mignolet vive à sombra do alemão Karius (o do frango na final da Liga dos Campeões com o Real Madrid).

NOVO INFERNO?
No caso do lateral-direito belga Meunier, o cenário é no mínimo curioso. Já no PSG, ele foi apresentado a Neymar nas quartas de final da Liga dos Campeões 2016/2017, quando o brasileiro, com Messi e Suárez, levou o Barcelona a devolver com juros a goleada da ida (4 a 0).

Desde então, fez questão de dizer que o brasileiro era praticamente imarcável. E viveu momentos de alívio ao tê-lo como companheiro de time (tal como Thiago Silva e Marquinhos).

Agora, terá novamente a missão de neutralizar o atacante, mas sabe bem o que o espera. “Neymar é talvez o melhor jogador com quem e contra quem joguei. Ele é imprevisível. E não só: tem Coutinho, Jesus, Marcelo. Vou tentar fazer o meu melhor”, reconhece.