Na favela Zaki Narchi, em São Paulo, os olhos de adolescentes foram cravados pelo fogo. Os barracos da comunidade eram vítimas de incêndio. O fogo só não temia mais do que a fome. Restos de comida da Casa de Detenção de São Paulo, mais conhecida como “Carandiru” em referência ao bairro, era um dos locais para satisfazer o estômago. 

Um passado de dramas, pobreza e dificuldades, aplacado por gols, fama, reconhecimento e riqueza através do futebol, que aos 37 anos de idade e 17 de carreira, apresenta mais um capítulo. Na manhã de hoje, às 11h30, o atacante Ricardo Oliveira desembarca no Atlético para ser o artilheiro da nova equipe alvinegra.

O NORTE mergulhou na vida e carreira do veterano centroavante, consultando pessoas ao seu redor. Daqueles tempos de pedir as sobras de comida servidas aos presidiários do Carandiru ao lado da mãe, até a evangelização e a idolatria nos Emirados Árabes, quando virou amigo de autoridades reais do país.
 
VINDA
Ricardo chega ao Galo acumulando 319 gols na carreira profissional em 619 jogos. A maioria deles no Santos (92), de onde saiu após não renovar contrato. No Atlético, inclusive, receberá R$ 280 mil fixos, e topou o acordo porque ele está recheado de premiações por metas individuais. 

Em 2017, o jogador chegou a ficar desempregado no futebol por mais de seis meses em Com muitos “nãos”, ele conseguiu um contrato com o Santos para receber R$ 50 mil. Aposta que rendeu a artilharia do Brasileirão há dois anos. 
 
DRAMA NO MILAN
Os números de gols da carreira poderiam ser até melhores. Em 2006, Oliveira foi contratado pelo Milan para substituir o ucraniano Andriy Schevchenko. Foram apenas 4 gols na Itália, tendo sido prejudicado psicologicamente com o sequestro de 159 dias da irmã em São Paulo. 

Com a camisa rubro-negra, jogando com Kaká e Ronaldo Fenômeno, R09 pôde colocar a Uefa Champions League no currículo que já tinha uma Copa da Uefa (atual Liga Europa) pelo Valencia, onde também venceu o Espanhol. Antes, já havia abocanhado a Copa do Rei pelo Bétis.
 
RELIGIÃO E LUTA
Pastor evangélico há 10 anos, Ricardo Oliveira já batizou colegas de clube e abriu uma igreja nos Emirados. 

A forma física do camisa 9, que pode gerar desconfiança no torcedor, é mantida com rigor até nas férias. Para chegar aos 40 anos atuando em alto nível, Ricardo Oliveira virou boxer e faixa marrom de Jiu-Jitsu.
 
PATROCÍNIOS
Ricardo Oliveira é um ícone em terras árabes. Passou seis anos nos Emirados. Primeiro pelo Al Jazira, depois defendendo o Al Wasl. Pelo primeiro, fez 91 gols em 120 jogos. Bicampeão da Copa do Presidente, ainda é convidado para voltar a Abu Dhabi para participar de inaugurações de viadutos e monumentos. 

No Santos, sua figura teve peso quando o clube assinou patrocínio máster com os africanos da Royal Air Marroc.