O fascínio que o mata-mata exerce sobre os torcedores é pela sua imprevisibilidade. Nos 180 minutos dos jogos de ida e volta tudo pode acontecer. E o Cruzeiro aposta como nunca nesse fator no confronto que inicia hoje contra o Palmeiras, às 21h45, no Allianz Parque, em São Paulo, quando estará em jogo uma vaga na milionária decisão da Copa do Brasil.

Treinador mais longevo entre os clubes que disputam a Série A, Mano Menezes vive um momento ruim no Cruzeiro. Seu time, por causa da imensa dificuldade em balançar a rede adversária, ganha poucos jogos.

Isso está refletido no afastamento do G-6 do Campeonato Brasileiro e no sofrimento dentro de casa para garantir vagas que pareciam asseguradas após vitórias como visitante nas últimas fases das Copa do Brasil e Libertadores, contra Santos e Flamengo.

Já o Palmeiras, que trocou de comando há pouco mais de um mês, com a demissão de Roger Machado, vive nesta terceira Era Felipão um momento impressionante.

A comparação do desempenho cruzeirense com o palmeirense nos últimos 11 jogos, número de partidas em que o time paulista foi comandado por Luiz Felipe Scolari, mostra uma diferença de produção recente bastante significativa.

Enquanto o Palmeiras apresenta 78,8% de aproveitamento, com oito vitórias, o Cruzeiro conquistou apenas 36,4% dos pontos neste mesmo período. E saiu de campo vencedor em somente três ocasiões.

Sim, os números celestes a partir do dia 5 de agosto – quando Felipão estreou no Palmeiras com um empate sem gols diante do América, no Independência – são menos que a metade dos alviverdes paulistas.
 
COMANDANTES
Se no retrospecto recente há uma disparidade entre os dois times em termos de aproveitamento, no comando técnico há um duelo interessante, pois não há exagero algum em tratar Mano Menezes como uma espécie de herdeiro de Luiz Felipe Scolari dentro da forte escola gaúcha de treinadores que praticamente domina o futebol brasileiro nos últimos anos.

Não há uma relação de proximidade, embora Mano tenha passado um período acompanhando o trabalho de Felipão quando ele treinava a seleção portuguesa.

Também não há inimizade, e o cordial encontro na Toca II, na véspera da reestreia de Felipão no Palmeiras, evidencia isso, mesmo com Mano tendo sido substituído por Scolari no comando da Seleção Brasileira em 2012.

Há menos exagero ainda em tratar os comandantes de Cruzeiro e Palmeiras como especialistas em mata-matas. Mano é bicampeão da Copa do Brasil, e Felipão é o treinador com mais títulos no torneio (quatro).
 
MISTÉRIOS
E nesse duelo entre dois especialistas, ambos usam a mesma tática: o mistério. Com jogadores se recuperando de lesão dos dois lados, e o Cruzeiro ainda com Dedé na Seleção, ambos exploram ao máximo o direito de resguardar a escalação.

O Cruzeiro armou um esquema para trazer Dedé dos Estados Unidos e aguarda as liberações de Arrascaeta e Romero, que estavam lesionados.

No Palmeiras, o volante Bruno Henrique e o atacante Borja é que aparecem como dúvidas. Uma certeza é que Felipe Melo e Deyverson, suspensos, não jogam.

A definição de quem leva a melhor nesta batalha será no dia 26, no Mineirão, quando Cruzeiro e Palmeiras disputam o jogo de volta, numa Copa do Brasil em que o gol marcado fora de casa não é critério de desempate.

Na outra semifinal da Copa do Brasil, Flamengo e Corinthians também fazem a primeira partida entre eles nesta quarta-feira, às 21h45, no Maracanã.