Normalmente, Cruzeiro, Atlético e América mostram divergências em assuntos relacionados ao futebol. No entanto, o trio de Belo Horizonte deliberou unanimemente no começo desta semana pelo veto ao uso do árbitro de vídeo (VAR) nos jogos do Campeonato Brasileiro deste ano.

Em reunião na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na tarde dessa segunda-feira, os presidentes dos clubes mineiros votaram com a maioria, já que 12 outras agremiações também não foram favoráveis a essa tecnologia. Sete foram os favoráveis ao uso do VAR, enquanto o São Paulo foi o único a não votar. O presidente Tricolor, Leco, deixou o local da reunião antes da definição do tema.

Além de Cruzeiro, Atlético e América, Corinthians, Santos, Vasco, Atlético-PR, Fluminense, Sport, Vitória, Ceará e Paraná foram contrários ao uso do VAR. Já o Palmeiras, a Chapecoense, o Bahia, o Grêmio, o Internacional, Flamengo e Botafogo foram os clubes favoráveis à implementação do árbitro de vídeo na edição 2018 do Brasileiro.

Segundo informações preliminares, o custo operacional para o uso do VAR nos jogos do Nacional deste ano seria de R$ 20 milhões. Valor esse que seria dividido entre todos os participantes da Série A, o que daria para cada R$ 1 milhão se a ferramenta fosse utilizada nos dois turnos, ou R$ 500 mil apenas em um turno da competição.

O ex-chefe do departamento de arbitragem da CBF, que capitaneou estudos para a implantação do VAR, Sérgio Correa, disse que o custo não foi, sozinho, motivo para a negativa.

“Não foi exatamente a questão do custo. Teve clube que argumentou com a questão técnica, outro falou de testes, alguns de custos. Uma pena’’, disse Correa ao Estadão.
 
MOTIVOS 
Em conversa com o Hoje em Dia, o presidente do Cruzeiro explicou o motivo do voto contra o uso do VAR. “Estamos com a maioria, mas ressalto que haverá o uso dessa ferramenta na Copa do Brasil. O Cruzeiro preferiu votar dessa forma, à espera do teste que será feito do árbitro de vídeo na Copa do Brasil. A partir disso é que teremos dados para nos embasar para deliberar sobre o assunto no ano que vem”, disse Wagner Pires de Sá à reportagem por telefone.

O Atlético também confirma o voto contrário à implementação do VAR, mas justifica tal decisão. “O clube apresentou proposta para árbitro de vídeo com custos divididos entre clubes e CBF. Proposta não foi aceita. Abriu-se votação então com 100% dos custos para os clubes, Galo foi contra”, se pronunciou o clube, através da assessoria de imprensa.

Já Marcus Salum, presidente do Conselho de Administração do América, diz que a implementação do árbitro de vídeo é um fato que vai acontecer, mas acredita que o sistema necessita de mais testes e dados concretos antes de entrar em vigor. 

“A utilização do VAR é um caminho sem volta. Ele vai ser implementado, mas não forma como foi votado hoje, com custo indefinido e alto, sem a experiência devida, valor de 50 mil para o clube mandante. Sem nenhuma certeza da eficácia. Teremos duas competições importantes para testar isso, na fase final da Copa do Brasil e na Copa do Mundo. Da forma como foi, não era inteligente votar a favor do árbitro de vídeo. Não iríamos ter um resultado efetivo e iríamos queimar uma etapa”, completa.

20 milhões Custo da implantação da tecnologia nos dois turnos do Campeonato Brasileiro