A terra dos czares, das matrioskas e do balé, a partir de hoje, é também do futebol. Demorou, mas finalmente o país que reúne etnias e climas diferentes e intrigantes e se estende por dois continentes – do Leste Europeu ao Nordeste da Ásia – recebe a festa maior do esporte, em sua 21ª edição.

Se o pontapé inicial, hoje, com a partida entre os donos da casa e a Arábia Saudita, e a grande decisão ocorrerão na capital Moscou, ao longo de um mês os olhos do mundo passearão pelas belezas de São Petersburgo, Kaliningrado e Ekaterinburgo; voltarão à Sochi que ficou conhecida como sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 e como sede de um GP de Fórmula 1; e desbravarão as menos conhecidas Rostov-on-Don, Volgogrado, Saransk, Samara e Kazan.

E se dificilmente farão bonito em campo, os anfitriões não mediram esforços para oferecer um espetáculo à altura da tradição da Copa, com estádios novos ou totalmente remodelados e uma estrutura de transporte capaz de vencer as distâncias continentais com rapidez e segurança. 

O povo russo aproveita a ocasião para mostrar que frieza e distanciamento são lugares comuns equivocados e promete uma acolhida calorosa às torcidas de todo o planeta, unidas pela linguagem da bola e pelo sonho de erguer o objeto do desejo: a Taça Fifa.

É bem verdade que o profissionalismo cada vez maior e a globalização (que trouxe competições antes distantes para o cotidiano do torcedor em todo o mundo) tiraram boa parte do romantismo que marcava as Copas. Hoje o tempo de preparação é curto; as estrelas dividem a atenção entre as seleções, os compromissos promocionais e o futuro nos clubes.

Ainda assim, as atenções estarão voltadas para as telas de TV; os momentos de jogos serão capazes de carregar as esperanças de nações inteiras, os gritos de gol prometem ecoar e dar início à comemoração.

E que veredito reservam as 64 partidas até que se conheça mais um campeão mundial? Se depender da empolgação e do empenho nos treinos, mesmo estreantes como Panamá e Islândia se enxergam na grande final.

Bem verdade que a zebra gosta de passear pelos gramados impecáveis; que feitos teoricamente impossíveis ajudam a construir o folclore das Copas, mas dificilmente a nova fronteira desbravada pela competição reescreverá a geografia do esporte. Bem verdade que a ausência da tetracampeã Itália já é uma novidade e tanto, mas, nas listas de fortes candidatos, as únicas ‘enxeridas’ entre as potências são Bélgica e Portugal.

Para a Seleção Brasileira, é a chance de confirmar que as lições dos doídos 7 a 1 do Mineirão na semifinal com a Alemanha foram assimiladas. Desta vez, o favoritismo se justifica com um futebol vistoso, um conjunto que é bem mais do que só Neymar e um trabalho bem feito. Serão suficientes para conquistar o hexa? Respostas a partir de hoje.