O duelo entre Brasil e Bélgica pelas quartas de final da Copa do Mundo, às 15h desta sexta-feira, traz como ingrediente extra uma comparação curiosa e inevitável entre Tite e Roberto Martínez.

Os técnicos estrearam à frente das respectivas seleções exatamente no mesmo dia, em 1º de setembro de 2016. E também disputaram um igual número de partidas neste período, desconsiderando o beneficente e restritivo “Jogo da Amizade”, promovido pela CBF no ano passado apenas com jogadores em atividade no país.

Os números reforçam as razões pelas quais o brasileiro e o espanhol chegaram ao torneio entre os postulantes ao título. Eles acumulam aproveitamentos acima dos 80%, conseguiram a classificação nas Eliminatórias com tranquilidade e só foram derrotados uma vez cada (ambos em amistosos).

Além disso, as defesas passaram ilesas em pelo menos metade dos compromissos, enquanto os ataques registram médias superiores a dois gols marcados por jogo.
 
CONTRASTES
É justamente nesses dois critérios, porém, que se encontram as diferenças mais visíveis entre os dois trabalhos. Enquanto a quase intransponível Seleção Brasileira leva menos de um gol a cada quatro partidas com Tite (média de 0,24), a badalada Geração Belga é vazada com uma frequência consideravelmente maior (0,87) desde a chegada de Roberto Martínez.

No outro oposto, os insinuantes Diabos Vermelhos vêm superando os goleiros num incrível ritmo de 3,16 vezes por jogo, contra “apenas” 2,2 do time verde e amarelo.

Nesse aspecto, entretanto, é preciso destacar o fato de os europeus terem goleado rivais de baixíssima expressão, especialmente Gibraltar (6 a 0 fora e 9 a 0 em casa), Estônia (8 a 1), Bósnia, Chipre e Arábia Saudita (4 a 0). Contra países mais tradicionais, os belgas tiveram muitas dificuldades, como no revés para a Espanha (2 a 0) e nos empates com México (3 a 3), Holanda (2 a 2) e Portugal (0 a 0).

NA COPA
As características preponderantes dos dois adversários têm se confirmado no Mundial. O Brasil tem a melhor defesa da competição ao lado do Uruguai (um gol sofrido), enquanto a Bélgica possui o ataque mais positivo (12 marcados).

A Seleção de Tite, contudo, se mostra mais equilibrada, pois aparece empatada com a própria equipe de Martínez como a que mais finaliza no torneio (77 conclusões). 

“Quando você joga com o Brasil, precisa entender que é o melhor time da competição. Tem que aceitar isso. Quanto antes entender o seu papel, melhor”, disse, empurrando o favoritismo para o rival.
*Com Frederico Ribeiro, enviado especial à Rússia