“Jogamos como nunca. Perdemos como sempre”. A manchete de um jornal mexicano em 17 de junho de 1997, dia seguinte de uma vitória do Brasil sobre o México por 3 a 2, de virada, na Copa América da Bolívia, entrou para a história do futebol por ser o retrato fiel não só do que foi aquele jogo, mas do que era o retrospecto do confronto entre as duas seleções, iniciado com um 4 a 0 brasileiro na partida que abriu o Mundial de 1950.

Brasil e México voltam a se enfrentar na próxima segunda-feira, às 11h, em Samara, pelas oitavas de final da Copa do Mundo da Rússia, e a histórica manchete é assunto desde que o confronto foi definido, na última quarta-feira.

O problema é que aqueles 3 a 2 de 16 de junho de 1997, no Estádio Ramón Tahuichi Aguilera, em Santa Cruz de la Sierra, no interior boliviano, aparecem como uma espécie de marco na história dos jogos entre Brasil e México. E de lá para cá, muitas vezes eles jogaram como nunca, mas não perderam como sempre.

O recorte do confronto em antes e depois daquele jogo na Bolívia (veja arte nesta página) mostra a evolução dos mexicanos no futebol, embora ela ainda não tenha sido suficiente para fazer com que eles consigam vencer a barreira das oitavas de final da Copa do Mundo, fase onde eles são eliminados da competição desde 1994, nos Estados Unidos, após não se classificarem para o torneio em 1990, na Itália.

Apesar da escrita das oitavas, os mexicanos chegam para encarar o Brasil com um retrospecto equilibrado nos confrontos entre as duas seleções nas duas últimas décadas. Em 18 jogos a partir daquela partida que gerou a histórica manchete, foram oito vitórias brasileiras e sete mexicanas, sendo que um dos três empates teve sabor de vitória para eles, pois foi na segunda rodada da fase de grupos da Copa de 2014, quando o goleiro Ochoa, que estará em campo novamente na segunda-feira, em Samara, deixou o Castelão, em Fortaleza, eleito o melhor do jogo pela Fifa.
 
TÍTULOS
Neste período, eles chegaram a conquistar título em cima da gente. Na final da Copa das Confederações de 1999, fizeram 4 a 3 no Estádio Azteca, lotado por 110 mil mexicanos e geraram outra manchete que fez história, no extinto “Diário da Tarde”, que trouxe na capa, em letras garrafais: “Chapolin 4, Trapalhões 3”, na melhor definição do que foi aquele jogo.

Eles voltaram a vencer na Copa das Confederações de 2005, na fase de grupos, naquela que foi a única derrota brasileira na campanha vitoriosa. Além disso, o México bateu o Brasil em jogos oficiais da Copa Ouro e Copa América na história recente do confronto.

HISTÓRICO
No geral, as seleções principais de Brasil e México já se enfrentaram 40 vezes. São 23 vitórias brasileiras, dez mexicanas e sete empates.

Em Copas do Mundo, são quatro jogos. A Seleção ganhou três e o último, em 2014, terminou empatado. Nesses confrontos, os mexicanos nunca balançaram a rede brasileira, sendo que nós marcamos 11 gols.

A vantagem brasileira ainda é grande, mas está longe de dar a certeza de que eles perderão como sempre. Na dúvida, é melhor que o time de Tite jogue como nunca.