SÃO PETERSBURGO (Rússia) – Esqueçam os 610 mil soldados do exército de Napoleão no início do século 17. A França precisa apenas de 23 homens para conquistar a Rússia. A sete quilômetros da Catedral de Nossa Senhora de Cazã, que celebra a vitória russa sobre o ex-governante francês, Les Bleus celebraram o passaporte para a final da Copa do Mundo 2018.

A vitória diante da Bélgica, ontem, foi suada, com gol solitário de cabeça de Umtiti. O zagueiro subiu mais alto que Fellaini, num escanteio batido na primeira trave, no começo do segundo tempo. Um duelo que duas talentosas gerações, capazes de montar ao menos dois times de alto nível, teve a balança pendendo para a camisa mais tradicional.

Na bilionária Arena São Petersburgo, a riqueza técnica de Mbappé, Griezmann, Pogbá e companhia se sobressaiu diante de uma tímida Bélgica, nada comparada à atuação que varreu o Brasil do Mundial. Lukaku segue sem marcar, diminuindo as chances de ser o artilheiro. De Bruyne e Hazard dificilmente ganharão a Bola de Ouro.

Troféu que passa a ser uma cobiça cada vez maior do jovem Mbappé, o marco deste time de Didier Deschamps. Com apenas 19 anos, mesmo que não tenha tido a melhor das atuações em solo russo, o camisa 10 joga como gente grande. Não por acaso recebeu o mais longo abraço de Thierry Henry no apito final. Já é o segundo melhor acontecimento francês em 1998.

Henry tinha 20 anos quando foi campeão do mundo, há exatas duas décadas. Era reserva de jogadores de qualidade duvidosa naquela equipe que ergueu pela primeira vez na história francesa a Taça da Fifa, em pleno Stade de France, contra o Brasil.

Desta vez, é Inglaterra ou Croácia que estarão no caminho da França para voltar a tocar no dourado troféu. Os semifinalistas duelam hoje, em Moscou, no palco da decisão do próximo domingo.

A Bélgica ainda disputará um honroso terceiro lugar em São Petersburgo, no sábado, podendo, caso vença, fazer a melhor campanha de sua história em Copas, pois foi quarta em 1986.

Para a França, é hora de ir além de um segundo lugar já garantido, algo que só ocorreu em 2006, no fim de carreira de Zidane, o grande herói daquele 1998 perto de ter outro ano como companheiro no hall de títulos franceses.
 
FESTA BRASILEIRA
O orgulho brasileiro não foi ferido diante da eliminação nas quartas. O sonho do hexa passaria por São Petersburgo exatamente em 10 de julho. Se o ingresso comprado antecipadamente não pode ser repassado, ou o clima era de “estar na chuva e se molhar”, brasileiros invadiram a histórica cidade russa para ver a França e a algoz Bélgica. Dois carrascos em campo, na verdade. Mas nas arquibancadas, foram os cânticos nacionais que se sobressaíram, chamando atenção da mídia internacional. 

Após o apito final, os gritos de “Mil gols, mil gols, só Pelé...” e “Pula, sai do chão, quem é pentacampeão” abafaram o “Allez, le Bleus!”