Uberlândia e Atlético encerram neste Dia Internacional da Mulher mais uma rodada do Campeonato Mineiro sem a presença feminina na equipe de arbitragem. Das 60 partidas, 52 foram apitadas ou “bandeiradas” apenas por homens.

O quadro da Federação Mineira de Futebol (FMF) tem atualmente 279 integrantes, entre árbitros e auxiliares, considerando os habilitados a atuar desde o nível amador até o Módulo I do Estadual. E as mulheres correspondem a somente 8,9% desse total (25).

As únicas aptas a trabalhar na elite do Mineiro são as auxiliares Fernanda Nandrea Gomes Antunes e Helen Aparecida Gonçalves Silva Araújo. Cada uma já atuou quatro vezes nesta edição do Mineiro, totalizando oito participações, ou 4,4% de assiduidade feminina nos trios de arbitragem da competição.

A previsão, porém, é de aumento da participação feminina. De acordo com o presidente da Comissão de Arbitragem da FMF, Giuliano Bozzano, a ideia é ter ao menos uma mulher atuando como árbitra principal – inicialmente no Módulo II – na temporada 2020.

“Em 2014 (ano em que assumiu o cargo), tínhamos só uma mulher que conseguia atuar no nível profissional. Eu diria que hoje, em comparação com a CBF e as principais federações estaduais, a FMF é certamente a que mais incentiva”, afirma o dirigente.

Desde 2008, a entidade máxima do futebol nacional exige que as mulheres atinjam os mesmos índices físicos dos homens para serem aprovadas nos testes das principais competições, como a Copa do Brasil e a Série A do Brasileirão. 

Porém, mesmo havendo atualmente oito habilitadas, uma partida deste nível não é apitada por uma árbitra desde 2005.

“Para incentivar aquelas que só atingem os níveis exigidos para as categorias de base e competições femininas, nós mudamos isso aqui na FMF, permitindo que elas trabalhem até nos jogos do Módulo II do Estadual”, explica Bozzano.

“Isso permite que sigam atuando em um bom nível técnico enquanto buscam a aprovação nos testes físicos. Estamos colhendo bons frutos e, por isso, vamos manter”, completa.

Sobre o apito feminino em 2020, o dirigente revela ter duas candidatas já habilitadas em termos físicos, mas ainda inexperientes. “Se elas mantiverem os índices, que é a parte mais difícil, poderemos colocar”, diz, preferindo não revelar os nomes “para não gerar pressão ou cobrança”. 
 
ALTO NÍVEL
A presença das mulheres na arbitragem ainda é um desafio em nível nacional e até mesmo mundial.

No ano passado, só duas das oito integrantes habilitadas no quadro da CBF trabalharam em partidas masculinas profissionais, e apenas nos níveis inferiores. Deborah Cecília comandou três jogos na Série D, dois na C e um na B, enquanto Edina Alves Batista apitou dois jogos da Quarta Divisão e um da Segundona.