A democratização e a garantia do acesso dos mineiros à leitura e ao livro em Minas Gerais são as grandes metas das políticas públicas propostas pelo Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas da Secretaria de Estado de Cultura (SEC). Com validade de dez anos, o plano deverá fortalecer a cadeia produtiva de livros.

Para sensibilizar os gestores públicos das cidades para a elaboração dos planos municipais de leitura, a SEC, por meio da Superintendência de Bibliotecas Públicas e Suplemento Literário (SUBSL), estimula a capacitação dos administradores e servidores para o desenvolvimento de atividades de incentivo à leitura.

A secretaria selecionou projetos de interessados em ministrar as oficinas de capacitação, direcionadas a servidores das bibliotecas públicas municipais com experiência nas áreas de leitura, literatura e bibliotecas.

Com enfoque amplo, a SUBSL vai realizar a oficina “Planos Municipais de Leitura, Literatura, Livro e Bibliotecas: histórico, conceitos, premissas, demandas e proposições” de 23 a 25 de outubro, das 9h às 17h, na Biblioteca Pública Estadual, na Praça da Liberdade, em BH.

“Um dos principais desafios da oficina é promover a reflexão sobre a participação social na construção dos planos municipais de leitura, de maneira a contribuir para a construção de documentos consistentes, que extrapolem o discurso comum. Tão importante quanto ‘como fazer’ é saber ‘por que fazer’”, afirma a ministrante da oficina, Fabíola Ribeiro Farias.

Já a segunda oficina de capacitação prevista, que tratará sobre “Formação de leitores em bibliotecas públicas”, está em fase de elaboração e será realizada ainda em 2017.
 
DINÂMICA
A carga horária total das duas modalidades de conhecimento é de 20 horas/aula, distribuídas durante três dias, nos turnos da manhã e da tarde. Ao todo, são 60 vagas preenchidas para a primeira oficina, sendo 30 prioritariamente da área de Cultura e as demais para a Educação.

Entre os participantes estão representantes de municípios que estejam as bibliotecas públicas em situação regular junto ao Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas Municipais.

“É necessário trabalhar para incentivar o uso do livro e o estímulo à leitura para que os cidadãos notem a importância dessas esferas para o desenvolvimento cultural do país”, diz a bibliotecária do município de Mário Campos, na Grande BH, selecionada para a oficina, Maria de Fátima Braga Zaza.

 


Diretrizes são importantes
Dentre os conhecimentos destacados na oficina “Planos Municipais de Leitura, Literatura, Livro e Bibliotecas: histórico, conceitos, premissas, demandas e proposições” estão: “O que são políticas públicas”; “O Plano Nacional do Livro e Leitura e seus eixos”, como a democratização do acesso ao livro e a valorização institucional da leitura e o incremento do valor simbólico. 

Os temas vão englobar a criação de grupo de trabalho, diagnóstico e informações, justificativa, princípios norteadores (práticas sociais, cidadania, diversidade cultural, construção de sentidos, eixos temáticos, definição de objetivos, dentre outros).
 
Plano Nacional
O Plano Estadual deverá seguir diretrizes apontadas pelo Plano Nacional, que começou a ser pensado em 2003, com assinatura de vários tratados internacionais instituindo políticas de incentivo ao livro e leitura.

No Brasil, o primeiro documento foi firmado em 2006, como resultado de mobilização do ano anterior – o Ano Ibero-americano da Leitura –, e da elaboração por um grupo de trabalho, envolvendo profissionais dos Ministérios da Educação e da Cultura. O material traça eixos e definições de políticas públicas para o livro.

No texto, foram definidos quatro eixos de orientação na organização do plano, baseados em indicativos da Unesco: a democratização do acesso ao livro, a formação de mediadores para o incentivo à leitura, a valorização institucional da leitura e o incremento do valor simbólico, e o desenvolvimento da economia do livro como estímulo à produção intelectual e ao desenvolvimento da economia nacional.