A Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia (Finit), que acontecerá no Expominas, em Belo Horizonte, de 31 de outubro a 4 de novembro, terá neste ano participações especiais. É lá que, no dia 1º, 20 alunos com síndrome de Down matriculados no curso de recepcionista de eventos, promovido pelo governo do Estado, terão a oportunidade de testar o que já aprenderam na capacitação gratuita.

A iniciativa é inédita em todo o país. Os aprendizes fazem o curso pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), em uma parceria entre a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes) e a Prefeitura de Pedro Leopoldo, na Grande BH, onde as aulas estão sendo ofertadas. 

No curso que tem duração de três meses, totalizando 200 horas de conteúdo, os alunos aprendem formas de tratamento e noções de boa postura. As aulas são ministradas de segunda a quinta-feira, das 13h às 17h. A formatura será em 21 de dezembro.

“O mercado de trabalho já absorve bem o trabalhador com deficiência motora, mas quem tem limitações cognitivas fica de fora. Então, tivemos a ideia de criar o projeto piloto para a inclusão dessas pessoas”, explica a superintendente de Ensino Tecnológico e coordenadora do Pronatec na Sedectes, Cristiane Saldanha.
 
EXPERIÊNCIA
A professora Cleusa Benfica, que já fazia trabalho voluntário com alunos Down, afirma que ensina e também aprende muito com a turma. “Tudo que planejo para dar em sala de aula muitas vezes tenho que repensar. Preciso ter um plano A, B, C e até um D para ensiná-los o conteúdo do curso dentro das possibilidades deles. É um desafio muito gratificante”. Para ela, o principal para a profissão eles já têm: sorriso no rosto e muita simpatia.

Felipe Augusto Pereira, de 23 anos, não esconde a animação por participar da Finit. “Já aprendi a falar seja bem-vindo, bom dia, boa tarde. O curso mudou a minha vida, todo dia eu chego com uma notícia boa para os meus amigos. Receber as pessoas vai ser muito bom”.

Já Deborah Rudinelli, de 29 anos, diz que o que mais gostou de aprender até agora foi trabalhar em equipe. “Depois do curso, eu vou começar a trabalhar, já consegui um emprego na Apae (Associação de Pais e Alunos Excepcionais) de Pedro Leopoldo. Minha vida vai mudando e eu sempre fico muito feliz”, conta. 

No Pronatec, eles recebem material didático, uniforme, ajuda de custo para transporte de R$ 9 por dia e alimentação.
 
MAIS PROGRAMAS
Além dessa iniciativa, o governo dispõe de outros programas e serviços para pessoas com deficiências. Em 29 de setembro, o Dia D, realizado pela Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social, atendeu mais de 400 pessoas com deficiências e reabilitadas do INSS no posto especial do Sistema Nacional de Emprego (Sine), na Assembleia Legislativa.

Lá, foi feito o contato entre trabalhadores e empregadores sujeitos às exigências da Lei de Cotas. Após entrevista, os candidatos foram encaminhados para as empresas. De janeiro deste ano até 2 de outubro, já foram oferecidas 1.578 vagas para profissionais com deficiência nos 128 postos do Sine coordenados pela Sedese. Deste total, 4.746 foram encaminhados para vagas e foram contratados 494.

 

Kits adaptados aparelham conselhos municipais
Em setembro e outubro, a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac) está entregando computadores, impressoras e projetores multimídia adaptados para 25 Conselhos Municipais dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Os kits foram adquiridos em parceria com o Ministério Público do Trabalho. 

Os conselhos buscam definir a política municipal de interesse dessa população e promover atividades que contribuam para a integração cultural, econômica, social e política. Para o secretário da Sedpac, Nilmário Miranda, a expectativa é reforçar o desempenho das funções e das atividades. “A ação faz parte de nossa meta de fortalecer esses colegiados, especialmente os que são menos lembrados”, afirma.


Central facilita comunicação

Três Centrais de Interpretação de Libras (CEIs) instaladas no Estado ajudam deficientes auditivos ou os surdos a se comunicarem. As unidades estão localizadas na capital, em Juiz de Fora (Zona da Mata) e Uberlândia (Triângulo).

Nesses locais, os profissionais dão assistência presencial e servem de intérpretes e tradutores, gratuitamente, em bibliotecas, hospitais, consultas médicas, dentista, bancos, Procons, tribunais, INSS e outros serviços públicos.

A gestão das centrais é compartilhada pelos governos federal, estadual e municipal. Equipar as instalações e contratar funcionários é responsabilidade da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac). 
 
TREINAMENTO 
Já uma parceria entre a Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese) e a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) vai capacitar 720 servidores estaduais, que atuam em 131 postos do Sine, para se comunicarem na Língua Brasileira de Sinais (Libras). 

Dessa forma, os profissionais estarão aptos no atendimento especializado às pessoas surdas que buscam colocação no mercado de trabalho.