A Base Nacional Comum Curricular do ensino médio (BNCC) já está no Conselho Nacional de Educação (CNE) para análise e aprovação. O documento vai orientar os currículos dessa etapa e estabelecer as habilidades e competências que devem ser desenvolvidas pelos alunos ao longo do ensino médio em cada uma das áreas.

O texto organiza a BNCC do ensino médio por áreas do conhecimento: linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas. Apenas as disciplinas de língua portuguesa e matemática são obrigatórias para os três anos.

Os alunos deverão cobrir toda a base comum em, no máximo, 1,8 mil horas-aula. As 1,2 mil horas restantes ser dedicadas ao aprofundamento no itinerário formativo de escolha do estudante. Esses itinerários serão desenvolvidos pelos estados e escolas, e o MEC vai disponibilizar um guia de orientação para apoiar a elaboração dos mesmos.

As escolas poderão oferecer itinerários formativos em cada uma das áreas do conhecimento ou combinando diferentes áreas. Outra opção é a oferta de itinerários formativos focados em algum aspecto específico de uma área. Os alunos poderão também optar por uma formação técnico-profissionalizante. 

De acordo com o MEC, a organização da base por áreas de conhecimento está alinhada à reforma do ensino médio sancionada no ano passado. Segundo o ministro da Educação, Mendonça Filho, os estados terão a responsabilidade tanto na oferta de itinerários formativos adicionais como na aplicação e definição dos currículos das redes estaduais de educação.

A secretária executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro, informou que a proposta das mudanças é melhorar a educação no ensino médio. “Esse modelo que nós temos hoje está em funcionamento há muito tempo e os resultados são tristes. Agora chegou o momento de trabalharmos uma proposta curricular inovadora que realmente possa reter o aluno na escola”. A BNCC para a educação infantil e o ensino fundamental foi aprovada e homologada no final do ano passado.

O Conselho Nacional de Educação irá fazer consulta pública em plataforma digital e audiências para colher sugestões da sociedade antes de submeter o texto à avaliação dos conselheiros. O presidente da comissão, Cesar Callegari, disse que os conselheiros têm agora um desafio “gigante” de aperfeiçoar o documento.

“O MEC confirma uma proposta reducionista dos direitos de aprendizagem dos jovens. As escolas tendem a fazer o que puderem em 1,8 mil horas, não o que é necessário. Então, o nosso papel será promover muito debate”, afirmou. A expectativa do MEC é que a base seja homologada ainda este ano. 
(Com Agência Brasil)