Cantora, compositora e violeira, a montes-clarense Vanessa é sucesso por onde passa. Em recente espetáculo teatral no Centro Cultural Hermes de Paula, em Montes Claros, destacou-se no elenco e encantou a plateia ao dedilhar sua viola.

Aos 44 anos, Vanessa Viola é uma típica violeira do sertão que se desponta na cena cultural. Auto-didata, filha de dona Santa – uma dona de casa – e seu Francisco Oliveira – um vaqueiro de profissão e sanfoneiro por diversão –, ela despertou para a música ainda na infância e nunca mais a deixou.

“Para ser mais exata nasci na roça, no sítio que meus pais possuíam à beira do rio Pacuí. Minha mãe trabalhava na lida da roça junto com meu pai. Sou a caçula de uma família de 15 irmãos, conta a artista, que teve muitos incentivadores no meio musical.

Vanessa tem um CD em parceria com a dupla Henrique e Alexandre, intitulado “Estrada da Saudade”, com 10 faixas autorais. Nesse trabalho, é compositora e instrumentista. Também fez a parte de produção e arranjos junto a outros integrantes da banda Gil Nunes e Willian Vilela. E recebeu apoio de Seu João Pedro, violeiro de Barretos (SP) que morou em Montes Claros e a ensinou os primeiros acordes na viola, dando-lhe a oportunidade de participar do grupo de viola “Luar do Sertão”. Foi a primeira vez que a artista subiu ao palco.

“Também recebi o convite do Natanael Gonçalves para participar da Orquestra Norte- mineira de Viola Caipira. Aí tive a oportunidade de me aprofundar mais na execução da viola. Nessa mesma orquestra conheci grandes músicos, dentre eles André Pinheiro, violeiro, luthier e artista plástico, que por sinal é até hoje um grande amigo e grande incentivador e apoiador da minha carreira”, diz.
 
Quando você se apresentou em público pela primeira vez 
Foi com o grupo de Viola “Luar do Sertão”. Acho que estava com 28 anos mais ou menos. Antes cheguei a me apresentar com o coral Júnia Neiva do Conservatório de Música Lorenzo Fernandez. Também fiz por um período aula de violão e canto Na verdade, quando entrei para o conservatório, não tinha ainda o curso de viola caipira, pensei que, fazendo aula de violão, também poderia tocar viola (risos). Engano meu, era muito diferente. Então comprei a viola e fui aprendendo sozinha mesmo.
 
Quando começou a se apresentar, já apreciava o sertanejo ou tinha outras preferências musicais?
Sempre tive o sertanejo como estilo preferido. Antes mesmo de saber tocar um instrumento, já compunha algumas canções. Todas voltadas pra o gênero sertanejo e caipira de raiz. Sou apaixonada pela arte de compor. Escrever sempre fez parte da minha vida. Com o passar do tempo fui amadurecendo musicalmente e na composição. Sou bem livre. Escrevo o que o meu coração e minha inspiração me oferecem.
 
Quem você considera o maior violeiro do Brasil de todos os tempos? 
Tenho o Tião Carreiro como referência em se tratando de violeiro. Ele foi o criador do pagode, um dos ritmos mais apreciados na viola caipira. Ele é, sem dúvida alguma, o violeiro mais reconhecido. Mas temos o Bambico, o Goiano, o Índio Cachoeira, o João Mulato e a Helena Meireles. Helena Meirelles foi reconhecida mundialmente pelo talento como violeira. O interessante é que ela conquistou esse reconhecimento numa época em que esse era um território praticamente masculino. Tanto que ela aprendeu a tocar sozinha e escondida do pai, que não permitia filha mulher tocando viola. E hoje temos muitos violeiros e violeiras espalhados por todo o país. Seria difícil citar aqui a 10% deles. Graças a Deus são muitos.
 
Seu marido a incentiva na vida artística?
Sou casada com Wesley Soares Mota. Ele sempre foi um grande apoiador e incentivador do meu trabalho. Temos 2 filhos. Yan Breno, 14 anos, e Juan Davi, de 6. Na verdade, sem o apoio dele e da minha família, eu não sei se chegaria até onde cheguei.
 
Qual é sua opinião sobre o programa The Voice Brasil, da Rede Globo ?
Acho muito positivo e uma grande oportunidade para o músico que tem a sorte de participar e mostrar seu trabalho para o mundo inteiro. Acho isso fantástico. Ao meu ver, o prêmio maior não é vencer o programa. 
 
VANESSA POR VANESSA
Doce lembrança: Minha infância na roça. 
Amiga especial: Roseane. Minha grande amiga de longa data.
Surpresa agradável: Vencer por duas vezes consecutivas o Festival Viola dos Gerais (afiliada da Rede Globo). Tive esse privilégio junto a meus amigos Henrique e Alexandre, que interpretaram minhas músicas, Gil Nunes e Abel de Freitas.
Maior instrumentista brasileiro: Tião Carreiro, Almir Sater e Bambico
Cantor Brasileiro: São muitos, mas sou muito fã do José Rico, da dupla Milionário e José Rico. 
Cantora brasileira: Elis Regina, Marisa Monte, Nalva Aguiar e As Galvão. 
Projetos na carreira: Gravar meu primeiro CD em carreira solo. 
Deus: Onipotente, Onisciente e Onipresente. O alfa e o ômega. Deus é tudo. Deus é o mais claro e verdadeiro conceito do verbo amar.