Ferdinando irritou nada menos do que Hitler e Franco, dois dos maiores ditadores de nossa História, a ponto de ser proibido durante a ascensão do fascismo na década de 1930. Ele é um touro, que só existiu no papel, criado para o livro “O Touro Ferdinando”, de Munro Leaf e Robert Lawson, lançado em 1936, e que acaba de ganhar versão em animação, dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha (“A Era do Gelo 2”, “Rio”), já em cartaz nos cinemas.

O filme homônimo segue a linha da história original, acompanhando um bezerro que, diferentemente de seus colegas, não almeja enfrentar um Matador – um toureiro – na arena. Diferente em seu comportamento, e sofredor do que hoje chamamos de “bullying”, ele cresce e vira um touro forte, mas apreciador das flores e da beleza do campo. 

“Eu vejo a história hoje como um incentivo a tentar possibilidades que não são predeterminadas. E que ser diferente não é nada mais do que natural”, salienta o arquiteto Marcos Soares, que tatuou Ferdinando no braço direito. 

Uma prova de que o dócil touro ratifica as escolhas próprias é Luiza Pinheiro, de 9 anos, uma adepta do veganismo que adora vê-lo cheirando flores no curta-metragem de 1938. “Para ela, Ferdinando é um símbolo da cultura da paz, da natureza. Como ele, Luiza também sofreu por ser diferente, tendo que almoçar separada dos colegas de escola por causa da comida diferente. Talvez por isso, viu o DVD do filme várias vezes”, registra a mãe Marta Passos, professora de Literatura. 
A livreira Simone Pessoa viu o filme da Disney há 30 anos e não se esquece até hoje do “tourinho poeta” que sai em desabalada após uma abelha picá-lo, aparentando ser bravo”. Naquele tempo, ela trabalhava numa videolocadora e indicava frequentemente a fita para a criançada. Agora, com o filme de Saldanha, chegou a vez dos pequenos do século 21 conhecerem o exemplar personagem. 
 
SESSÕES
Shopping Ibituruna – 14h30, 16h30 e 18h30

Montes Claros Shopping – 14h20, 1630, 18h40 e 20h50