Há 12 anos, a professora Andréa Martins desenvolve trabalhos que associam a literatura ao audiovisual. A produção se destaca pelo voluntariado, com diversas colaborações no elenco, edição e áudio. O último trabalho, o curta “Encontro”, foi lançado ontem, em duas sessões gratuitas no Ibicinemas, no Ibituruna Shopping.
Andrea é graduada em Letras pela Unimontes, mestre em Literatura Brasileira e com doutorado em Estudos de Linguagem, ambos pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Em ambos fez pesquisa envolvendo literatura e audiovisual. 
 
Como começou a se interessar pelo universo do cinema?
Como espectadora. Gosto de cinema desde o primeiro filme (de Mazzaropi) que assisti ainda criança. Pelo fazer cinema, meu interesse inicial foi pela escrita de roteiros, no final da década de 1990. Creio que pelo fato de ter experiência com narrativas, já que também escrevo contos e crônicas. Como produtora e diretora, embora já tenha feito alguns vídeos anteriormente, esta é a primeira com linguagem de cinema que eu assumo.
 
Qual é a relação que você vê entre cinema e educação?
A relação entre cinema e educação é importante na medida em que o cinema é um bem cultural, e a cultura não pode ser dissociada da educação. Além disso, não resta dúvida de que o cinema pode e deve ser usado também como ferramenta de ensino. E uma ferramenta muito poderosa, porque a imagem tem muito apelo, e as histórias contadas em imagens, se bem contadas, são muito sedutoras. Além disso, o cinema trata de todas as questões relativas ao homem e à sociedade. Pode-se dar aula de assuntos diversos a partir dos filmes.
 
Fale um pouco de “Reunião de Família”, teleteatro, 2000) e “Todos os Dias são Iguais” (curta, 2012) pela Associação Curta Minas. 
“Reunião de Família” é um roteiro de teleteatro que fiz como exercício de um curso de roteiro ministrado por Luiz Carlos Maciel, consagrado consultor e professor de roteiros. O curso foi promovido pela Rede Minas de Televisão, que se propôs a produzir o melhor roteiro escolhido pelo professor. Ele escolheu o meu texto, que foi produzido e dirigido por Breno Milagres, e exibido naquela emissora em 2002. Já “Todos os Dias são Iguais” é um roteiro de curta, premiado em concurso promovido pela Associação Curta Minas, com patrocínio da Cemig, em 2000. O dinheiro do prêmio foi utilizado na produção do filme, que foi dirigido por Carlos Gradim e finalizado em 2001. Esse filme participou de festivais dentro e fora do Brasil.

Como é fazer cinema em Montes Claros? Quais os pontos positivos e negativos?
Acredito que fazer filmes nunca é fácil, por ser uma arte de construção coletiva – e trabalhar em grupo é sempre difícil – e que envolve equipamentos e técnicas diversas e, quase sempre, caras. Em Montes Claros, se por um lado encontrei muitas portas fechadas no que se refere a conseguir patrocínio, por outro, encontrei muitos profissionais interessados em participar deste “Encontro”. Portanto, posso dizer, pela minha experiência, que fazer filme aqui é difícil, porém possível, pois a falta de recursos financeiros é compensada pelos recursos humanos.
 
E o documentário sobre o músico e luthier Zé Coco do Riachão? 
O projeto de fazer um documentário sobre Zé Côco do Riachão é antigo. Venho tentando há quase 20 anos e sempre esbarro na falta de recursos. É um filme difícil de fazer sem dinheiro, pois envolve muitas imagens de arquivo e direitos autorais. Agora, finalmente, consegui aprová-lo no Sismic. É um valor pequeno, mas já é um começo. Espero conseguir mais recursos através de patrocínios ou financiamentos coletivos.