O arquiteto, músico e artista montes-clarense André Thiago tem 30 anos. Ingressou no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandes em 2001, onde esteve por dez anos. Estudou canto lírico, piano, artesanato e pintura. Em 2007, iniciou no curso de Arquitetura e Urbanismo e graduou-se em dezembro de 2011. Ele é filho da professora Antônia Ramos, sua grande incentivadora. Era ela quem levava o menino para participar de festivais de música. 

André também gostava de desenhar e colorir e seus brinquedos prediletos eram folhas de papel em branco e lápis de cor. É dele a ideia de construir a Casa de Noel, espaço aberto para visitação até o dia 6 de janeiro na área externa de um shopping da cidade. O artista fala para O NORTE sobre esse e outros trabalhos. 
 
Como foi que a arquitetura surgiu na sua vida?
Sempre gostei de desenhar e a construção civil era algo que me encantava. Desde muito novo, acompanhava as reformas da minha casa, conversava muito com os pedreiros e via muitas revistas de decoração de casas e jardins. Quando resolvi fazer arquitetura, o meu objetivo era de profissionalizar e agregar mais conhecimentos sobre aquilo que eu já tinha certo domínio.
 
Mas o que veio primeiro, arte ou arquitetura? 
Ainda quando criança comecei a fazer os meus primeiros trabalhos. Eram trabalhos manuais e simples, mas sempre procurei dar o meu melhor. Aos 6 anos fiz o meu primeiro presépio e, a partir dele, fui aprimorando ao longo dos anos. Hoje, monto em minha residência um dos maiores presépios do estado de Minas Gerais.
Muita gente reclama que sem muito dinheiro não é possível ter acesso à boa arquitetura.
Isso é um mito. Aliás, as pessoas fazem um mau juízo quanto ao profissional de arquitetura. O arquiteto é formado para proporcionar qualidade de moradia para as pessoas, propondo as melhores soluções arquitetônicas, com funcionalidade, beleza e custo reduzido. Existem sim aqueles clientes que detêm um maior poder aquisitivo e, por isso, gastam fortunas em suas casas. Mas a arquitetura não foi feita somente para isso. 
 
O que mais te encanta na arte?
As várias formas de expressão. Seja por meio da música, da dança, do teatro ou até mesmo de um simples pedaço de papel. Os trabalhos manuais como a cerâmica, o tear, tudo isso me chama muito a atenção. A nossa região é contemplada com muitos artistas de vários segmentos, pena não conseguirem maior apoio do poder público para os seus trabalhos.
 
Conte um pouco sobre o projeto da Casa de Noel. Quais os elementos que você usou?
A Casa do Noel foi um sonho idealizado por mim. Eu já fazia algo semelhante na minha casa há vários anos, só não era aberta diretamente ao público. Sou colecionador de Papais Noéis e artigos de decoração de Natal há 19 anos. Resolvi fazer uma exposição do meu acervo particular criando uma casa toda em madeira, no estilo colonial com 265m² de área construída, a maior casa de Papai Noel do Brasil.
 
E a renda beneficiou a Fazenda da Solidariedade?
Sim. Eu quis expor meu acervo por saber que era algo inédito na cidade e região para beneficiar uma instituição que fizesse algum tipo de trabalho relevante para a sociedade. Escolhi a Fazenda da Solidariedade por acreditar no trabalho desenvolvido pelo Frei Valdo, que resgata vidas ofertando amor, carinho e, principalmente, tratando a dependência química de forma responsável e, o mais importante, reinserindo os acolhidos na sociedade de maneira digna. 
 
Quais são seus próximos projetos? 
Muita coisa boa vem por aí. Pretendo desenvolver outros projetos que ajudem outras instituições. É a forma que encontrei de poder fazer algo de bom para a sociedade. A Casa do Noel recebeu alguns convites para se apresentar em outros estados, ainda estou analisando a viabilidade, mas creio que tem grandes chances de levarmos alegria e encantamento a outras pessoas com a moradia do bom velhinho. 

“Existem sim aqueles clientes que detêm um maior poder aquisitivo e, por isso, gastam fortunas em suas casas. Mas a arquitetura não foi feita somente para isso”